segunda-feira, 17 de novembro de 2025



Vem aí o espetáculo da desonra de Bolsonaro e oficiais golpistas…

    Josias de Souza   Colunista do UOL – publicado em 17/11/2025

Dois espetáculos não cabem no mesmo palco. Ou no mesmo evento histórico. Dividido entre uma apresentação e outra, a plateia correria o risco de não prestar a devida atenção a nenhuma das duas.

 Ainda está em cartaz, no Supremo Tribunal Federal, o último capítulo do processo contra os réus do núcleo principal do complô do golpe. Mas o show da democracia tem que continuar.

 A contagem regressiva para que o Supremo torne as condenações definitivas e irrecorríveis, impõe às Forças Armadas o lançamento de um espetáculo novo: o ritual da desonra de Bolsonaro e seus aliados de farda…

Junto com o capitão, líder da organização criminosa do golpe, já foram condenados por crimes contra a democracia três generais (Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira) e um almirante (Almir Garnier).

 Exército e Marinha devem ao país informações sobre o processo de expurgo dos cinco membros do estado-maior do golpe. Precisam perder as patentes. Deveriam ser expulsos também da folha de aposentados. Mas a encenação inclui as mortes simuladas.

 Ainda que sejam punidos com rigor máximo pelo Superior Tribunal Militar, Bolsonaro e seus aliados de farda serão declarados "mortos fictos" —ou "mortos vivos". Os vencimentos passam a ser recebidos por familiares.

 Há cerca de 600 defuntos de papel nas Forças Armadas. Esposas, companheiras e filhas de militares expulsos recebem do tesouro algo como R$ 25 milhões por ano. A remuneração de zumbis golpistas por meio de familiares adicionará escárnio à aberração.


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