quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Câncer: cientista brasileiro descobre na Antártida bactérias que podem ajudar na luta contra doença

Gente nossa. Bactérias que vivem no entorno das raízes de uma gramínea que só ocorre na Antártica apresentaram ação anticancerígena. Essa ação foi comprovada no trabalho de doutorado do biólogo Leonardo José da Silva um brasileiro nato , aqui da nossa terra. 


ADMIRÁVEL DOUTOR... É O MÍNIMO QUE PODEMOS ATRIBUIR A ESSE DEDICADO ESTUDIOSO!!!


Câncer: cientista brasileiro descobre na Antártida bactérias que podem ajudar na luta contra doença


Leonardo José Silva Na AntártidaDireito de imagemLEONARDO JOSÉ SILVA/DIVULGAÇÃO
Image captionPesquisador brasileiro viajou a Antártida para colher bactérias que produzem compostos capazes de inibir o desenvolvimento de um tipo de câncer

Com uma área de 14 milhões de quilômetros quadrados - uma vez e meia maior do que a do Brasil - quase totalmente cobertos com uma camada de gelo de 2,1 quilômetros de espessura em média (mas que em alguns pontos pode chegar a quase cinco quilômetros), e mais 20 milhões de quilômetros quadrados de mar congelado no inverno e 1,6 no verão, a vastidão gelada da Antártida é um ambiente extremo. Mas por isso mesmo, é uma região propícia para o surgimento e evolução de espécies únicas, com metabolismos exóticos, que aumentam as chance de desenvolvimento - e descoberta - de novas substâncias, que podem dar origem a novas drogas para o tratamento de várias doenças, entre elas o câncer.
Foi justamente o que descobriu o pesquisador Leonardo José Silva, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, ao estudar bactérias que vivem na gramínea Deschampsia antarctica, que só existe na Antártida. Ele viajou para o continente entre novembro e dezembro de 2014 com um grupo de outros pesquisadores brasileiros. Ali, coletou pequenas amostras de solo, acondicionou as amostras em sacos plásticos herméticos e as guardou em um ultrafreezer, a - 80 ºC (negativos).
Depois, ao estudar as bactérias na gramínea, constatou que várias delas produzem compostos capazes de inibir o desenvolvimento do glioma (um tipo de câncer que ocorre no cérebro e na medula espinhal), tumores na mama e no pulmão. A pesquisa toda foi realizada entre fevereiro de 2014 e julho de 2018.

Leonardo José Silva na AntártidaDireito de imagemLEONARDO JOSÉ SILVA/DIVULGAÇÃO
Image captionSilva pesquisou em região inóspita com espécies que só existem na Antártida e onda há pouca influência humana

A viagem de Silva foi de prospecção - no caso dele, de busca por compostos bioativos. Segundo ele, as atividades de prospecção podem ser realizadas em qualquer ambiente. "No entanto, as chances da descoberta de novas substâncias, capazes de auxiliar o desenvolvimento de fármacos, controladores biológicos de pragas agrícolas ou mesmo enzimas para promover o benefício a um determinado processo industrial, são aumentadas quando procuramos em um local pouco explorado, como por exemplo o continente antártico", diz.
Isso ocorre porque aquela região inóspita concilia fatores importantes para o estabelecimento de vias metabólicas inusitadas, como, por exemplo, condições ambientais extremas, baixo fluxo gênico, espécies endêmicas (que só existem lá) e pouca influência humana, que podem favorecer a produção de substâncias de importância biotecnológica.
Silva pesquisou o microbioma associado à rizosfera (região onde o solo e as raízes das plantas entram em contato) da gramínea na Ilha Rei George, localizada na Península Antártica.

Leonardo José Silva na AntártidaDireito de imagemLEONARDO JOSÉ SILVA/DIVULGAÇÃO
Image captionPesquisador da Esalq identificou cinco novas espécies e isolou 72 linhagens de grupo bacteriano

O objetivo do trabalho do pesquisador da Esalq era descobrir e selecionar linhagens de actinobactérias (grupo bacteriano versátil na geração de compostos bioativos), capazes de produzir substâncias eficientes em controlar o desenvolvimento de tumores humanos.
Como resultado da sua prospecção, o pesquisador identificou cinco novas espécies, entre as quais a Rhodococcus psychrotolerans, cuja descrição foi publicada recentemente no periódico internacional Antonie van Leeuwenhoek.
Além disso, foram isoladas 72 linhagens desse grupo bacteriano e criada uma "biblioteca" contendo 42.528 clones. "Como consequência das atividades de pesquisa, obtivemos uma coleção de actinobactérias produtoras de compostos antitumorais, as quais poderão ser exploradas em maior profundidade por meio de parcerias entre centros de pesquisas públicos ou pela iniciativa privada", diz Silva.
"A razão pela qual empenhamos nossos esforços para a obtenção de compostos ativos é contribuir com o desenvolvimento de tratamentos para o câncer, de forma a prover maior expectativa de vida para pacientes."

Gramínea na AntártidaDireito de imagemLEONARDO JOSÉ SILVA/DIVULGAÇÃO
Image captionTrabalho de Silva foi realizado com aporte financeiro do CNPq

Em relação à produção de compostos antitumorais, duas linhagens descobertas por Silva apresentaram pronunciada atividade contra o desenvolvimento de cânceres de glioma, pulmão e mama, e portanto foram selecionadas para os trabalhos de caracterização dos constituintes bioativos.
As substâncias cinerubina B e actinomicina D, identificadas, respectivamente, no extrato bruto das linhagens CMAA 1527 e CMAA 1653 das bactérias encontradas por Silva, já são conhecidas por apresentarem atividades antitumorais. Ou seja, já são usadas em inúmeros fármacos para o tratamento de cânceres. Apesar disso, os resultados do trabalho do pesquisador da USP representam uma importante contribuição científica ao país, dado o valor de marcado delas. Cada 100 mg de actinomicina D, por exemplo, custa aproximado de R$ 14 mil.
A pesquisa, segundo Silva, foi fez parte de sua tese de doutorado pelo Programa de Microbiologia Agrícola, da Esalq, e contou com aporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O estudo, diz ele, foi orientado pelo pesquisador Itamar Soares de Melo, da Embrapa Meio Ambiente, uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, além de ter contado com uma série de parcerias.

Grupo de pesquisadores na AntártidaDireito de imagemLEONARDO JOSÉ SILVA/DIVULGAÇÃO
Image captionSegundo pesquisador, substâncias obtidas a partir de micro-organismos e plantas representam 60% dos agentes antitumorais

A pesquisa de Silva se insere em um contexto mais amplo, no qual o aumento do número de casos de câncer tem atraído a atenção da comunidade científica de todo o mundo e impulsionado as buscas por novas estratégias e drogas para o tratamento da doença. "Nesse sentido, substâncias obtidas a partir de micro-organismos e plantas estão entre as mais promissoras, representando aproximadamente 60% dos agentes antitumorais aprovados para uso nas últimas décadas", afirma.
Segundo Silva, a descoberta e a identificação da atividade antitumoral dos compostos em células de cânceres cultivadas em laboratório é o primeiro passo para o desenvolvimento de um novo medicamento de uso clínico. "Os próximos estágios são testes in vivo (com animais), modificações estruturais para manter sua atividade e evitar efeitos danosos em células não doentes, testes da dosagem ideal e do encapsulamento das substâncias e, por fim, os ensaios em seres humanos", explica.

AntártidaDireito de imagemLEONARDO JOSÉ SILVA/DIVULGAÇÃO
Image captionRegião é propícia para o surgimento e evolução de espécies únicas, com metabolismos exóticos, que aumentam as chance de desenvolvimento - e descoberta - de novas substâncias

Mas o trabalho de Silva ainda não se encerrou. "Tendo em vista que apenas duas linhagens descobertas foram exploradas, e que temos mais 15 outras produtoras de compostos anticâncer sem qualquer informação adicional, tenho como principal interesse estudá-las, em busca de novos compostos bioativos", afirma.
Outro objetivo é dar continuidade aos ensaios iniciados por meio de parcerias eficientes em testes clínicos, dosagens de medicamentos e modificações estruturais das substâncias produzidas para redução de citotoxicidade (danos que as substâncias podem causar às células sadias) e aumentar a especificidade sobre o alvo (os tumores), isto é, fazer com que as novas drogas ajam apenas contra as células cancerosas.
(Trabalho realizado em colaboração com o Instituto de Ciências Biológicas-ICB (UFMG), Faculdade de Ciências Farmacêuticas-FCF (UNICAMP), Divisão de Recursos Microbianos-DRM (CPQBA), Laboratório de Espectrometria de Massa (FFCLRP), Laboratório de Microbiologia Ambiental-LMA (EMBRAPA) e Marinha do Brasil (OPERANTAR XXXIII). 

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Un vestido y un amor - Mercedes Sosa





Fito Paez...grande compositor argentino..que beleza...saudades Mercedes...

sexta-feira, 13 de julho de 2018

"O Discurso da Servidão Voluntária”



Texto do Marco Antonio Valério (extraído do Blog do Prévidi-RS)



  • Você já deve ter se perguntado: por que nós nos submetemos? Será que essa minoria que inferniza e atrasa o país se manteria no poder se nós (a maioria) simplesmente não mais aceitássemos a sua tirania? Tipo assim: chega!, fora!, c'est fini! Sem violência, sem quebra-quebra, sem palanque, sem líderes populares, sem esquerda, sem direita. É nóis e estamos conversados.

  • Pois, esta pergunta se instalou em minha cabeça quando o mau-cheiro produzido por tiranetes de plantão acabou com o meu domingo. Fui atrás de respostas. Estou em 1549, na Universidade de Orléans. Dou de cara com Étienne de La Boétie, um francês de 19 anos, estudante de Direito, muito inteligente. Ele acaba de escrever um ensaio poderoso: “O Discurso da Servidão Voluntária”. A lebre levantada por Étienne vem a calhar.

  • Ele diz mais ou menos o seguinte: toda tirania está baseada na aceitação do povo. Ou seja, os tiranos (aqueles que chegam ao poder pelas armas ou pelo voto), segundo ele, não caem porque o povo está de acordo com a própria subjugação. Esses canalhas continuam nos governando porque gostamos de ser escravizados. Ôpa! É isso mesmo, Étienne? Exatamente. Toda tirania está baseada numa aceitação popular. Se não fosse isso, nenhum poder governamental aguentaria por muito tempo.

  • O francês se empolga: o tirano é um indivíduo, certo? Certo. Ele dificilmente obteria a obediência de outra pessoa, e muito menos de um país inteiro, se a maioria não consentisse com esta obediência. A pergunta que você tem que se fazer é por que o povo obedece a uma minoria da sociedade. Medo? Negativo. É costume, mon ami.

  • As pessoas se convencem de que são súditas. Essa ideia passa de geração para geração. Além disso, os canalhas investem pesadamente em propaganda para que a maioria acredite em sua sabedoria, justiça e... inocência. E mais. Eles patrocinam uma hierarquia de aliados subordinados, um bando de serventes, funcionários públicos e burocratas leais. Esse pessoal dissemina a farsa.

  • Funciona assim: cinco ou seis indivíduos são os conselheiros e beneficiários principais. Esta meia dúzia mantém seiscentos. Esses seiscentos conservam seis mil e assim vai. Em troca de sua própria subjugação, esta ordem de subordinados oprime o resto do povo. Faz sentido. Mas como é que a gente acaba com o poder destes tiranos? Tire os fundos e os recursos que o povo destina continuamente a eles. Enquanto isso, lá fora, o domingo segue frio e chuvoso.
(em tempo: muitoo bomm..é exatamente isso, penso e repito,  eu.)