sexta-feira, 14 de agosto de 2026

             De novo, a sombra da barbárie 

Avanço do bolsonarismo traz riscos de retrocesso democrático, perda de soberania e enfraquecimento de direitos fundamentais...



O que voltamos a discutir, como salientou Lula em minha casa, é a diferença entre a barbárie e a civilização, diz o articulista...

Kakay
14.ago.2026 (sexta-feira) - 5h58...

Em nosso país a vulgaridade é um título, a mediocridade um brasão.” 
                                                  Machado de Assis

Outra vez, o Brasil está numa encruzilhada, e é difícil entender por que o país está passando por isso. Depois dos 4 anos de trevas obscurantistas de um governo fascista, mesmo com o crescimento da ultradireita internacional, julgávamos estar longe do risco bolsonarista....

O presidente Lula, com a honestidade intelectual e a sinceridade do grande homem público que é, consignou, em 12 de dezembro de 2022, na festa de diplomação em minha casa, que só havia se candidatado novamente por intuir que era o único capaz de derrotar o desastre do Bolsonaro.
 Uma administração sem limites, com caminhões de dinheiro, com fábricas de fake news, sem ética e sem controle, só perderia para os erros do próprio governo; ainda assim, era necessário ter um líder popular, com a história de um Lula, para derrotar o fascismo. Um candidato inescrupuloso perder uma reeleição era uma tarefa quase impossível. Só o velho Lula poderia fazer tal façanha. E a fez. Foi, na definição correta dele, a vitória da civilização sobre a barbárie....
O que é espantoso é que, mesmo com Bolsonaro preso, com um filho condenado e foragido nos EUA, com os embates públicos entre a mulher e o candidato escolhido, com a cúpula do governo passado recolhida à prisão –generais e ministros cumprindo penas de cadeia– e com os escândalos sobre corrupção, ainda assim, parte da elite brasileira, e grande parte da população, insiste em caminhar para o abismo....
Não estamos tratando de propostas divergentes. Ao contrário: uma proposta é democrática, e a outra, golpista. A dúvida não é entre Covas, Fernando Henrique Cardoso, Serra e um projeto que governa o Brasil há 12 anos e detém o respeito de todos os países democráticos. Agora, o confronto é com um bando de loucos que querem entregar o Brasil ao fascista Trump. Não estamos decidindo entre modelos de governo que passam por uma discussão possível, entre os mais à direita, os do centro ou os da centro-esquerda....
O que voltamos a discutir, como salientou Lula em minha casa, é a diferença entre a barbárie e a civilização. É a negação absoluta da política e o predomínio cego da corrupção, do fim das políticas públicas, da negação dos direitos humanos, do predomínio absoluto da misoginia, do fascismo, da violência e do caos....
Recordo-me da frase do ministro Jarbas Passarinho, em 13 de dezembro de 1968, durante a reunião do Conselho de Segurança Nacional que aprovou o Ato Institucional nº 5, que culminou na fase mais repressiva da ditadura militar: “Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”....
Agora, de maneira mais clara, temos ainda um fator agravante. O bolsonarismo, representado pela família e pelos seus seguidores mais próximos, resolveu escancarar: entregou abertamente o país ao poderio decadente norte-americano. Não há mais um discurso com um pingo de dignidade. Como sabem os fascistas que estão tratando com um presidente Trump do nível deles, e sabem que precisam negociar a hipótese de não prisão da família Bolsonaro, como um todo, resolveram colocar na mesa a soberania nacional....
Não se discutem mais terras, minerais raros, ouro ou Amazônia. É a chave do país. A entrega absoluta. A rendição. A soberania pela liberdade, o afastamento da Papuda pela humilhação da perda da dignidade. Afinal, o que é dignidade para esse grupo? É por aí que começamos a perder a discussão política. Como falar em dignidade, soberania, honra e pátria com um grupo tão reles, tão mesquinho e tão vil? Tristes tempos. Como não lembrar e nos remeter a Leonardo da Vinci: “A simplicidade é o último grau de sofisticação”. Mas eles, claro, jamais entenderão....

observação: extraído do "Poder 360"
Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, tem 68 anos. Nasceu em Patos de Minas (MG) e cursou direito na UnB, em Brasília. É advogado criminal e já defendeu 4 ex-presidentes da República, 90 governadores, dezenas de congressistas e ministros de Estado. Além de grandes empreiteiras e banqueiros. Escreve para o Poder360 semanalmente às sextas-

 

O entreguismo de Javier Milei e o perigo do tecnofascismo

As aventuras fascistoides e desmioladas de Milei podem nos levar à extinção da democracia formal.   

Por Cristóvão Feil – de Brasília

(comentário extraído do Correio do Brasil)

 Argentina enfrenta uma encruzilhada perigosa. O presidente Javier Milei e suas políticas de desregulação, combinadas com o alinhamento geopolítico e a chegada de atores com um histórico questionável em termos de direitos civis, criam um cenário de riscos elevados – extensivos a toda a América Latina.  



O exame do governo protofascista de Milei deve resultar em um alerta poderoso sobre os perigos da entrega de soberania, entrega de dados, bem como de vastos territórios a interesses privados e estrangeiros sem um debate democrático profundo e sem os marcos legais adequados para proteger a sociedade. 

s afinidades e riscos do presidente argentino nos permitem   profetizar o inevitável tecnofascismo.  

Javier Milei era um comentarista baixa-extração de TV. Chegou à presidência de uma nação em tempo recorde. 

Ora, nada disso se deveu a suas altas aptidões (que não as têm), mas ao respaldo que, desde o dia um, o envolveu numa alternativa real graças à sua imagem pública predominantemente digital. 

Se Milei foi eleito, foi por ter sido escolhido antes pela elite internacional para executar a cessão de soberania que o capital tecnológico precisa e exige. 

Democracia 

Milei não esconde, ao contrário, se orgulha de ser amigo e adepto do dono da empresa de alta tecnologia Palantir, o ultraconservador Peter Thiel.

Para saber quem é Thiel basta identificar a sua corrente filosófica neo-reacionária e tecnofascista, formulada pelo programador Curtis Yarvin, o filósofo Nick Land, e articulada teoricamente pelo próprio Thiel em um ensaio de 2009.

Thiel sentencia: “Não acredito que a liberdade e a democracia sejam compatíveis. O grande salto deve ser a fuga da política”.

Trata-se de uma arquitetura ideológica que repousa em três pilares: 

Neocameralismo: substituição da democracia ineficiente por um Estado redesenhado como corporação privada (Joint-Stock Republic), gerido por um CEO não-eleito e cidadãos sem mais direitos políticos do que aqueles que os tornam clientes ou usuários sob contrato formal.

O princípio de “Exit” (Saída): governança não definida por voto popular. A única liberdade capaz de ser exercida é migrar, se não aceitares as regras ditadas pela empresa proprietária do solo. Não há mais direitos, Não há mais democracia.

Materialização espacial: criação de Charter Cities (cidades privadas autônomas), plataformas marítimas flutuantes (seasteading) e micronações corporativas dentro de Estados ocupados. Geralmente debilitados e permeáveis, graças a crises financeiras previamente fabricadas.  

A Palantir Technologies é a coluna vertebral da inteligência militar, preditiva e fronteiriça. Ela tem contratos com a CIA, FBI,  Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) e o Pentágono. Seu software, como o Gotham, é um poderoso instrumento de vigilância que integra e cruza dados de múltiplas fontes.

Instalada fisicamente e dentro da estrutura estatal argentina, o país estará destinado a se tornar um hub de inteligência de Washington e Tel Aviv.

Além disso uma grandíssima ameaça internacional, por completo descontrole. 

A Palantir não só se habilitaria à vigilância preditiva sobre a população, mas como corporação privada o faria sem limites legais nem estatais. Sem que ninguém saiba o que estão medindo, como, quando, onde nem a quem, dentro e fora das fronteiras nacionais. 

A espionagem em tempo integral facilitaria o processamento satelital em tempo real para rastrear reservas de água, lítio, cobre ou colheitas e rebanhos, antes que os próprios Estados soberanos com os quais a Argentina tem tido historicamente uma relação neutra. 

Controle social e guerra cognitiva transfronteiriça, que acelera desde a Argentina, mas sem a Argentina, a criação de mapas de influência para vigiar a cidadania e manipular cenários eleitorais em países limítrofes como Brasil, Chile, Uruguai e Bolívia. 

Rigorosa distopia 

Não há leituras alternativas. O projeto que Milei encarnou em nome de uma liberdade (de trair e subjugar a Nação) e aliar-se a Peter Thiel em nome de seu amor por – água e terras da Argentina – não é novo e não é improvisado. É o plano que alguém sonhou algum dia para substituir a República e a soberania do Estado-Nação por um modelo autoritário e hipertecnológico. 

Um plano que precisava de uma Argentina em certas condições para seu controle solitário. 

Sem alianças regionais. Sem marcos legais. Sem capacidade de reação coletiva e popular. Tudo o que um dia um magnata imaginou, depois converteu em doutrina e esperou até a hora em que alguém sustentado pela elite e capaz de qualquer coisa lhe abrisse a porta de seu próprio país de dentro para fora.

A ligação entre Thiel e o presidente Milei, ambos autodeclarados anarcocapitalistas, é um fato amplamente documentado. Eles se reuniram em 2024 e novamente em abril de 2026, encontro que foi classificado como “maravilhoso” por Milei. O magnata Thiel comprou uma mansão em Buenos Aires, o que indica um interesse pessoal e potencialmente estratégico no país. 

O controle de terras em zonas frias, combinado com as principais reservas hídricas continentais do país, responde à exigência física de resfriamento que demandam as fazendas de servidores massivos para os sistemas avançados de IA. 

O modelo exige um fornecimento contínuo e ininterrupto em escala de gigawatts, o que demanda acesso direto ao potencial eólico, solar e à Vaca Muerta (vasto complexo energético da província de Neuquén) para criar redes elétricas autônomas e operadas à margem do sistema de distribuição público. 

Penetração de espionagem na estrutura estatal para o desdobramento de software de mineração de dados massiva (deep-data mining), dando alcance às bases de dados da cidadania e das agências estatais. 

As consequências deste ensaio tecnofascista e extrativista transcendem a teoria política e projetam consequências territoriais de altíssima gravidade para toda a região continental.

A Palantir exige uma completa reconfiguração do mapa nacional. Exige megapropriedades em fronteiras ou bacias hídricas onde a justiça local e as forças de segurança já não terão capacidade operacional, e onde os reclamos cidadãos que recaiam sobre esses feudos hipervigiados deverão ser feitos em tribunais internacionais onerosos e inalcançáveis. 

Calcula-se que um megacentro de hiperescala como o de Peter Thiel consumiria entre 10 e 15 milhões de litros de água doce por dia (o consumo diário de uma cidade de 100 mil habitantes). Um recurso que seria devolvido quente ao solo, destruindo totalmente ecossistemas naturais como os do Rio Negro – na Patagônia – por priorizar o resfriamento de microprocessadores sobre o consumo humano e de animais, tanto os de pastoreio, como os selvagens. 

Nesta altura, o colapso hídrico estaria irreversível e completo.

Pedras

Quinta-feira passada houve manifestações de massa em Buenos Aires e no norte do país. Foram motivadas pela votação da controversa Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada, impulsionada pelo presidente Milei, atendendo as pretensões ilegítimas e ilegais da Palantir e muitos outros investidores globais. 

Os atos atingiram o ápice em frente ao Congresso Nacional, resultando em violentos confrontos entre manifestantes e a polícia de repressão. 

Observamos que a mídia corporativa do Brasil não publicou nada sobre o movimento popular anti-Milei e a derrota do governo no Congresso. A mesma mídia que – dias antes – divulgou fartamente as tolices, fanfarronices e molecagens do presidente argentino ao comparecer a um ato político-eleitoral de Flávio Bolsonaro no Brasil. 

A mobilização reuniu sindicatos, estudantes e movimentos sociais sob o lema “A pátria não se vende”. Diante do avanço da marcha, as forças de segurança aplicaram o modelo antipiquetes, que significa “tratamento a ferro e fogo”. 

Pressionado pela forte resistência social e pela falta de apoio de governadores aliados, o governo Milei recuou e retirou os trechos mais polêmicos antes da votação. Foram excluídos os artigos que facilitavam a venda de territórios a estrangeiros e a exploração imobiliária de zonas incendiadas. 

Mesmo desidratada, a versão modificada da lei foi aprovada pelo Senado por uma margem apertada (37 votos a favor e 33 contra) e seguiu para avaliação na Câmara dos Deputados. 

O impacto econômico planejado pelo governo Milei com a nova Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada visa desregulamentar mercados chaves para atrair investimentos estrangeiros diretos e reduzir custos de transação no país. 

A estratégia original previa uma abertura agressiva do setor imobiliário e agrícola, mas a desidratação do texto no Senado alterou a força desses planos.

O plano pretendia extinguir o limite legal vigente de 15% de terras rurais pertencentes a estrangeiros. O objetivo foi o de atrair fundos de investimento globais e bilionários do setor agropecuário e de mineração pesada.

A proposta eliminaria proibições de uso comercial e imobiliário por até 60 anos em áreas atingidas por incêndios. A meta era destravar o desenvolvimento de projetos turísticos, agrícolas e minerários em zonas antes protegidas. 

A ofensiva direitista não foi anulada completamente.

Como se vê, a ofensiva dos autodenominados anarcocapitalistas foi rechaçada, mas ainda está longe de ter sido anulada em definitivo. O Congresso é fraco e suscetível a   perigosos comportamentos pendulares. 

A participação das massas e de parte do Judiciário argentino foram determinantes para o recuo tático dos poderosos anarcocapitalistas internacionais.  

O perigo está no ar, mas não só na Argentina, hoje um laboratório da extrema direita tecnofeudalista internacional, mas em toda a América Latina. 

Os recentes resultados vitoriosos da direita no Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, bem como o nebuloso caso do bolivarismo venezuelano e o sequestro relâmpago de Maduro exibem e demonstram uma ofensiva bastante exitosa do trumpismo tecnofeudal no continente sulamericano.  

O Brasil tem um papel politicamente muito importante neste contexto regional. Estamos em pleno processo eleitoral, cujo resultado está longe de ser conhecido. Há indícios importantes de abandono e isolamento do candidato bolsonarista. 

Diante da evidente fragilidade do candidato indicado por Jair Messias, está havendo uma escandalosa militância ilegal de dois ministros do STF, Kássio Nunes Marques e André Mendonça, ambos atuando em dupla jornada no TSE, sempre em desfavor da democracia e da lisura na disputa eleitoral. 

Mendoncinha, de forma atrevida e voluntariosa, assoma anseios de juiz de instrução ao tentar orientar e coordenar a Polícia Federal, no escândalo Master. Ao mesmo tempo em que trava completamente o andamento judicial que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e suas relações com os Bolsonaro.   

Ora, no Brasil não existe a figura jurídica do juiz de instrução. A PF responde ao Poder Executivo e não ao Poder Judiciário, como em outros países.  

Setores e líderes conhecidos do chamado Centrão e da direita mais convicta não aderiram ao candidato do golpista Bolsonaro. 

Portanto, temos um fenômeno inédito na corrida presidencial brasileira, pelo menos desde o fim da ditadura de 1964-85. A direita está pulverizada em vários candidaturas, minando, pois, as chances de vitória. 

Lula, por sua vez, tem recebido auxílio importante dessa direita entreguista e pró-EUA, qual seja, a oportunidade de reatualizar – de forma enfática e potente – o discurso do nacionalismo e da soberania nacional.     

Hoje, tanto o nacionalismo quanto a soberania, não estão mais na condição de abstração discursiva superada e arquivada. Ao contrário, são concretudes que estão na ordem do dia. A população compreende do que se trata. 

As ofensivas tarifárias e as absurdas imposições trumpistas ao Brasil – estimuladas por bolsonaristas tontos vivendo nos EUA – mostram a necessidade de recuperar conceitos permanentes em defesa do nacionalismo e da soberania brasileira. 

Esta é a grande tarefa de Lula. Ignorar o atrevido Milei e ao mesmo tempo defender o Brasil do risco da invasão do modelo tecnofeudal da plutocracia internacional. 

 

Cristóvão Feil, é sociólogo.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

Truque de IA na convenção do PL poderá gerar inelegibilidade de Flávio

 Doutor Wálter Maierovitch

Colunista do UOL

 

27/07/2026 11h42

Tumultuar, consumar ilegalidades e proibições judiciais para jogar com o fato consumado e espernear depois sempre foi a marca registrada dos Bolsonaros. Eles se fingem de vítimas de perseguições políticas, difundem o ódio e sobrevivem da polarização.

Esse tipo de conduta com marca registrada ocorre por ações dos próprios Bolsonaros ou por interpostas pessoas.

Na convenção partidária de confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro, ocorrida no último sábado, não foi diferente

Truque grosseiro

Na convenção do PL, um truque grosseiro foi exibido em vídeo, com auxílio de instrumentos da Inteligência Artificial (IA).

Na verdade, buscou-se uma burla às proibições constitucionais, penais e judiciais de Jair Bolsonaro se manifestar eleitoralmente.

Como se sabe, o ex-presidente está com direitos políticos e cidadania suspensos em face de condenação definitiva emanada do STF (Supremo Tribunal Federal).

Por meio do uso de deepfake, técnica que emprega a inteligência artificial para criar adulterações, exibiu-se uma montagem de Jair Bolsonaro…

Imagem criada, mas com discurso de conteúdo fidelíssimo ao pensamento de Jair Bolsonaro. 

Atenção ao conteúdo:

“Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária, baseada em algo que eu nunca fiz. Mas eu garanto: nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que carregamos. Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé. O Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente."

Essa burla montada teve o aval do partido promotor da convenção — o PL, representado ao vivo e em cores reais por Valdemar Costa Neto, partícipe da ilegalidade.

Usando uma comparação, seria como se Albert Einstein, por adaptações de fotos e filmagens antigas, fizesse uma exposição em vídeo, com fidelidade absoluta da sua teoria da relatividade.

A farsa rocambolesca da convenção do PL, com ativa participação e conivência de Flávio Bolsonaro, teve como abertura um aviso plantado, para uso em futura alegação, perante a Justiça Eleitoral, de exclusão de responsabilidade:

"Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial."

Como se nota, nenhuma explicação se prestou sobre o conteúdo proibido.

Diante do sucedido, alguns questionamentos já estão sendo feitos. De permeio , os advogados do PL entendem não ter havido nenhuma ilicitude.

Volta à Papudinha?

Repito, houve intencional artimanha para driblar proibições, para refletir no processo de execução das penas impostas a Bolsonaro com trâmite no STF e, também, na Justiça Eleitoral.

Na execução penal, existe concessão de medida humanitária, com base em risco à saúde do preso, com tudo atestado por laudos médicos. E esse benefício não pode ser revogado com base em falta disciplinar.

Submeter o preso doente, no caso de Jair Bolsonaro, a tratamento desumano — na hipótese da cessar assistência necessária e colocar o preso em lugar inadequado — significaria imposição de pena extra, desumana, geradora de   sofrimentos ou até risco de morte.

 -Ninguém pode receber sanção extra, não prevista na sentença…

Assim, a volta de Jair Bolsonaro ao presídio da Papudinha não pode decorrer de ato de indisciplina e de descumprimento de dever do preso condenado.

Tem mais, atenção. Nunca haverá prova, no caso confissão, de Jair Bolsonaro ter sido consultado e autorizado o vídeo e o conteúdo montados. A responsabilidade criminal ou eleitoral não se presume.

           Inelegibilidade de Flávio

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem resolução, com força de lei, que proíbe o uso de deepfakes. A vedação vale para as campanhas e, evidentemente, para a fase antecedente — ou seja, de escolha dos candidatos.

Diante do que ocorreu na convenção do PL, com burla descarada, caberá ao Ministério Público Eleitoral e a partidos políticos, coligações e candidatos (já escolhidos em convenção e com registro de candidatura pendente de aprovação) representar ao corregedor-geral para apurações das ilicitudes e abusos. Esse é o caminho para proteção dos eleitores e respeito à Justiça Eleitoral, que não pode ser desmoralizada.

O pedido de providências, com possibilidade de instauração de ação de Investigação Judicial Eleitoral pelo corregedor, está previsto no artigo 22 da Lei Complementar 64/1990.

Observados os ritos e garantida ampla defesa, a procedência da ação, julgada pelo Tribunal e com o corregedor como relator, implicará a inelegibilidade do representado (Flávio Bolsonaro) e de quantos hajam contribuído para a prática do ato (Valdemar Costa Neto). Ainda que após a proclamação dos eleitos, como diz a lei.

postado no UOL. 

 

 Competência e a seriedade de Dalcolmo e a desfaçatez dos Bolsonaros.

Publicado por  Kakay

 DCM.

 Atualizado em 24 de julho de 2026 às 9.00hs



                                     Jair Bolsonaro durante a pandemia. Foto: reprodução

Por Kakay em Poder 360

O velho abutre é sábio
e alisa as suas penas.
A podridão lhe agrada
e seus discursos
têm o dom de tornar
as almas mais pequenas.”

–Sophia de Mello Breyner, no poema “O Velho Abutre”

A médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo impressiona pela clareza, inteligência e confiança que transmite nas entrevistas. Ela exala competência e seriedade. Nos tempos tristes e desesperadores da pandemia de covid, a sua presença nos acompanhava e nos acolhia.

Trancados em casa, acompanhávamos, estarrecidos, a leitura macabra dos números de mortos anunciados diariamente. Além disso, cada um de nós, à época, carregava a dor e a preocupação por algum familiar ou amigo. Eu passei noites com 2 queridos irmãos, internados e entubados, com sérios riscos de morte. E os relatos se acumulavam sobre as mortes de parentes, amigos e conhecidos. Foi um pesadelo que ainda nos acompanha. E que sempre vai nos amedrontar.

Nesta semana, a Dra. Dalcolmo, durante um ciclo de debates sobre cinema e direitos humanos realizado na Estação Claro Rio, ao participar da exibição do documentário “Anatomia do Caos“, fez uma declaração que trouxe de volta toda tristeza, revolta e indignação pelo descaso oficial e criminoso do governo Bolsonaro com a pandemia. Ela, com a autoridade que ostenta, falou o que muitos de nós já intuíamos:

“720 mil mortes não é verdade. No Brasil, nós tivemos pelo menos 3 vezes o número registrado oficialmente de mortes por covid-19. Seguramente, nós tivemos mais de 2 milhões de mortos, seja pela doença aguda naquele momento, seja pelas doenças decorrentes das consequências e das sequelas decorrentes de uma infecção aguda de transmissão respiratória”.

É impossível esquecer que, em 7 de outubro de 2020, o general Pazuello, então ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro, afirmou, no evento de abertura da campanha Outubro Rosa, que "não sabia o que era o SUS!" Revoltante. Assassinos. Irresponsáveis. Malandros. Ignorantes. Na mesma solenidade, Michelle Bolsonaro e a então ministra Damares Alves falaram sobre a importância de a mulher cuidar do próprio corpo.

Impossível não lembrar do deboche irresponsável do hoje presidiário Bolsonaro quando tratava do tema covid: “Superdimensionado”; “Gripezinha”; “Resfriadinho”; “Não sou coveiro”; “Sou Messias, mas não faço milagres”; “País de maricas”; “Chega de frescura e mimimi. Vão ficar chorando até quando?”. Em 22 de janeiro de 2022, quando havia 622.801 mortos oficialmente, Bolsonaro disse, em entrevista em São Paulo, que o número de mortes de crianças era “insignificante”.

À época, a sociedade civil tentou, de diversas formas, responsabilizar criminalmente o então presidente Bolsonaro e seu bando. Eu mesmo assinei, junto com o Conselho Federal da OAB, uma representação dirigida ao procurador-geral da República para imputar culpa ao hoje presidiário Bolsonaro pela morte de milhares de brasileiros.

No Brasil, o Ministério Público é o titular da ação penal. Em certos casos, como nesse da denúncia por homicídio, só ele tem o poder de acusar formalmente e levar a questão ao Judiciário. Um poder inerte que só age quando provocado. Por isso, cunhei a expressão “poderes imperiais” para o procurador-geral.

No caso concreto, o Ministério Público quedou-se inativo. Ainda discutimos, à época, uma hipótese de queixa-crime subsidiária, mas encontramos o entrave quanto à legitimidade. Ou seja, nossa representação nem sequer foi analisada. E Bolsonaro, Pazuello e tantos outros se livraram da responsabilidade evidente. Sequer foram processados. Um acinte. Um crime dentro de outro crime.

É claro que os crimes não estão prescritos e, mesmo nos casos em que houve pedidos de arquivamento, parece evidente que há fatos novos que ensejam a reabertura. Os 2 milhões de mortos continuam rondando nossas mentes, insepultos pela violência da omissão, do descaso e dos atos criminosos. E os milhões de familiares e amigos restam indignados.

O que talvez mais assuste e cause perplexidade é o fato de o bolsonarismo ainda resistir! Como o líder, hoje presidiário, Bolsonaro só foi condenado e preso por outros fatos, disseminou-se uma ideia de perseguição política. Os bolsonaristas, em regra, são indigentes intelectuais. Acompanham, como um gado, o berrante da mentira e das promessas absurdas.

Ainda agora o número 1, senador, apresenta-se como candidato à Presidência da República. E tem uma legião de seguidores! E ele segue na mesma trilha do pai.

Nesta semana, fez um discurso em um evento privado, perante representantes de 42 países. No encontro, o candidato a candidato ousou afirmar que o Brasil utiliza urnas eletrônicas fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic e citou um relatório da CIA segundo o qual a companhia estaria envolvida em fraudes nas eleições da Venezuela em 2012.

Tal mentira já havia sido propagada pelo hoje presidiário Bolsonaro, na presença de embaixadores, em 2022, o que resultou em uma nota oficial do Tribunal Superior Eleitoral desmentindo a informação.

O ato do então presidente da República deu origem a um julgamento no qual o hoje presidiário foi condenado. O TSE declarou Jair Bolsonaro inelegível por 8 anos por abuso de poder econômico e uso inapropriado dos meios de comunicação na reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, em 18 de julho de 2022.

Ainda assim, o filho número 1, hoje pré-candidato, repete o discurso mentiroso que já resultou na repetição da mesma nota oficial do Tribunal Superior Eleitoral desmentindo o fato. É inacreditável. Podemos esperar uma nova pandemia, com a irresponsabilidade criminosa no seu enfrentamento.

O senador Flávio indica que seguirá rigorosamente a trilha nefasta do seu pai, hoje presidiário. Os bolsonaristas sobrevivem e se alimentam da mentira, da ignorância e da dor dos mortos. Deverão ser todos responsabilizados.

Lembrando-nos do velho Marx, no Dezoito Brumário:

“A história se repete, a 1ª vez como tragédia e a 2ª, como farsa.”

Kakay  




Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido pela alcunha de Kakay, é um dos maiores advogados criminalistas brasileiros. É também poeta e escritor.

 

terça-feira, 17 de março de 2026

 


                                               Elis eternamente....Elis !!!

                   Era abril de 1960...quanto tempo atrás. Eu tinha 10 anos de idade e  integrava o elenco de um programa chamado "Sonho Infantil" que era realizado todos os domingos em uma Rádio do interior do Rio Grande do Sul. Aquele domingo do mês de abril era um dia muito especial. No palco do Cine Serrano, palco esse utilizado como teatro em apresentações de cantores , artistas, políticos e peças teatrais, estaria uma cantora que começava a aparecer no cenário estadual e que se chamava Elis Regina. Era o ano do lançamento do primeiro disco da cantora,  disco esse chamado "Viva a Brotolândia" Gravadora Continental. Ela tinha 15 anos e o show seria realizado às 15:00hs. Os ingressos estavam esgotados e pela manhã fui com o pessoal da Rádio ao Hotel Rodoviário onde Elis estava hospedada com sua mãe Dona Ercy. Fui escalado para servir de "cicerone" dela e lá fui eu , feliz da vida, me sentindo a criança mais feliz da terra pela importância do acontecimento, participando de tudo ao lado da estrela principal da festa. Caminhamos da Rodoviária onde se situava o Hotel até o centro da cidade, visitamos a Igreja Católica e do outro lado da praça, a Igreja Evangélica, a praça central e..acabou o passeio. Nada mais havia a mostrar. O show a tarde foi um sucesso, Elis cantou as músicas do disco e ao terminar o show após atender os fãs no camarim voltamos ao Hotel Rodoviário para Elis e sua mãe pegarem suas bagagens , tomar o ônibus de volta para Porto Alegre. Nos despedimos, Dona Ercy me deu um beijo e me agradeceu pela hospitalidade. Aí...o agradecimento e o carinho de uma pessoa que me acompanhou nos pensamentos pelo resto da minha vida. Elis me deu um beijo no rosto e um bilhetinho com seu endereço  na Vila IAPI em Porto Alegre me convidando para visitá-la quando por lá aparecesse já que eu morava a 400km da capital. Isso nunca ocorreu pois não havia como isso acontecer, somente nos meus sonhos de guri. Passou alguns anos e vem o ano de 1966.  (Elis já não residia mais em Porto Alegre. Havia se mudado para o Rio de Janeiro no ano de 1964 onde estaria junto de praticamente toda as gravadores de discos nacionais e estrangeiras.  Minha família se mudou para  Porto Alegre em 1965 e fomos morar no bairro do Menino Deus. Cheguei atrasado para ir visitar "minha querida".)   Elis se apresentaria em um show no Auditório Araújo Viana promovido por um Jornal e uma Rádio de Porto Alegre, a Rádio Guaíba. Eu já estava informado do acontecimento e pensei..."é nessa que eu vou dar um jeito de chegar perto da Elis novamente" . O show era gratuito e consegui ingresso , e mais...consegui licença do meu pai para ir ao show. E lá fui eu...auditório completamente lotado. Antes se apresentaram vários músicos, um grupo de danças e um grupo chamado Caravelle. Tudo lindo, tudo para mim novidade. E a ansiedade de ver e escutar "minha querida" depois de tantos anos. E lá vem , Zimbo Trio , Jair Rodrigues e ela...nossa estrela maior....o povo veio abaixo,  era só alegria, as pessoas vidradas naquela baixinha espetacular que enchia nossos ouvidos e olhos com sua alegria e voz maravilhosa. Enchia o Palco com sua presença e junto com seus músicos e Jair Rodrigues, especialmente, encantava a todos.    Então...segue na próxima postagem...  
 OBSERVAÇÂO: Hoje,17 de março de 2026, Elis Regina, nossa Pimentinha, faria 81 anos na idade cronológica. Eterna em outra idade qualquer.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

 

             GUILHERME GASTALDELLO PINHEIRO SERRANO

 Presidente do INSS durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

INSS liberou em nome de crianças R$ 12 bi em empréstimos consignados

Órgão mudou em 2022 norma para permitir contratos sem autorização judicial


       Como diria a sensitiva,  aquela: vai vendo...vai vendo....o caminho da bandalheira oficializada.


Serrano foi diretor de Atendimento do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e, entre abril de 2022 e janeiro de 2023, assumiu a presidência do órgão, na gestão do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

 PF aponta “potencial conflito de interesses” no comparecimento de diretores do INSS a assembleia e eventos realizados pela Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).

“Em 31/08/2021, nos termos da ata registrada no 1º Ofício de Notas e Protesto de Brasília, foi promovida Assembleia em que foi deliberado que a CBPA poderia firmar ACT com o INSS para desconto de contribuição associativa diretamente na folha de pagamento de benefícios do INSS. Nessa assembleia, compareceu Guilherme Gastaldello Pinheiro Serrano, que foi Diretor de Atendimento do INSS e, posteriormente, Presidente da autarquia, de abril de 2022 a 02/01/2023”, detalha a investigação.

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 Aí pra completar editou a instrução abaixo sobre empréstimos no BPC para menores

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Instrução Normativa INSS Nº 136 DE 11/08/2022

Publicado no DOU em 12 ago 2022

Altera a Instrução Normativa INSS/PRES nº 28, de 16 de maio de 2008 , e a Instrução Normativa PRES/INSS nº 128, de 28 de março de 2022 .

O Presidente do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto nº 10.995, de 14 de março de 2022, e tendo em vista o que consta no Processo Administrativo nº 35014.157837/2022-79,

Resolve:

Art. 1º A Instrução Normativa INSS/PRES nº 28, de 16 de maio de 2008 , publicada no Diário Oficial da União - DOU nº 94, de 19 de maio de 2008, Seção 1, págs. 102/104, passa a vigorar com as seguintes alterações:

" Art. 2º .....

III - beneficiário: o titular de aposentadoria, de pensão por morte, da Renda Mensal Vitalícia, prevista na Lei nº 6.179, de 11 de dezembro de 1974 , de Benefício de Prestação Continuada - BPC, de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 1993 , e de benefícios que tenham como requisito para sua concessão a preexistência do benefício de prestação continuada de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 .

XX - representante legal: representante do titular do benefício, civilmente incapaz, na qualidade de curador, guardião ou tutor (nato ou judicial); e

XXI - procurador: representante do titular do benefício, civilmente capaz, outorgado mediante instrumento de procuração particular ou público."(NR)

" Art. 3º Os titulares de benefícios de aposentadoria, pensão por morte do RGPS, da Renda Mensal Vitalícia prevista na Lei nº 6.179, de 1974 , do BPC, de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 1993 , e de benefícios que tenham como requisito para sua concessão a preexistência do BPC de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 1993 , poderão autorizar os descontos no respectivo benefício, dos valores referentes ao pagamento de crédito consignado, concedidos por instituições consignatárias acordantes, desde que:

IV - fica a critério da instituição consignatária acordante a contratação de crédito consignado em benefícios pagos por meio de representante legal (tutor nato, tutor judicial, curador ou guardião).

VII - É vedado ao procurador que apresente instrumento de mandato particular ou que esteja cadastrado no sistema apenas para fins de recebimento do benefício, autorizar o bloqueio ou o desbloqueio de benefício para operações de crédito, salvo autorização expressa em instrumento de mandato público, para este fim."(NR)

" Art. 43 . Os beneficiários ou seus representantes legais, definidos nos incisos XX e XXI do art. 2º, observado o disposto no § 6º deste artigo, poderão, respeitado o disposto no § 2º do art. 1º, efetuar bloqueio ou desbloqueio do benefício para averbações de crédito consignado, a qualquer tempo, por meio de serviço eletrônico, mediante acesso autenticado.

Art. 2 º A Instrução Normativa PRES/INSS nº 128, de 28 de março de 2022 , publicada no DOU nº 60, em 29 de março de 2022, Seção 1, pág. 132, passa a vigorar com as seguintes alterações:

" Art. 633 . .....IN INSS 128-2022 Art 633

a) o desconto, seu valor e o respectivo número de prestações a consignar sejam expressamente autorizados pelo titular do benefício ou por seu representante legal, na qualidade de curador, guardião ou tutor (nato ou judicial);

III -

d) recebidos por meio de representante legal, na qualidade de administrador provisório ou representante de entidade de que trata o art. 92, do Estatuto da Criança e do Adolescente;" (NR)

Art. 3º Ficam revogados os seguintes dispositivos:

I - da Instrução Normativa INSS/PRES nº 28, de 2008 :

a) o inciso VI do art. 3º ; e

b) o inciso I do art. 11 .

II - da Instrução Normativa PRES/INSS nº 128, de 2008, as alíneas "c" e "e" do inciso III do art. 633 .

Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

GUILHERME GASTALDELLO PINHEIRO SERRANO

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O Ministério da Previdência Social exonerou, nesta quinta-feira (08/05/25), o coordenador-geral de Estudos Estatísticos, Atendimento e Relacionamento Institucional, Guilherme Serrano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), assinada pela chefe de gabinete, Louise Caroline Santos de Lima e Silva.

Presidente do INSS durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Guilherme Serrano foi dispensado do cargo que ocupava no Ministério da Previdência. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União de hoje.

O que aconteceu

Serrano chefiou INSS entre abril de 2022 e janeiro de 2023. Servidor de carreira do órgão, ele estava atualmente em um cargo comissionado no ministério, de coordenador-geral de estudos estatísticos, atendimento e relacionamento institucional…

Dispensa se dá em meio à crise no órgão. Uma operação da PF no final de abril expôs que ao menos R$ 6 bilhões foram desviados de aposentados e pensionistas por meio de descontos indevidos desde 2019…

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INSS liberou em nome de crianças R$ 12 bi em empréstimos consignados

Existem hoje, segundo o INSS, 763.000 empréstimos consignados ativos para menores de idade, com valor médio de R$16.000,00, segundo a presidencia atual do INSS

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Vem aí o espetáculo da desonra de Bolsonaro e oficiais golpistas…

    Josias de Souza   Colunista do UOL – publicado em 17/11/2025

Dois espetáculos não cabem no mesmo palco. Ou no mesmo evento histórico. Dividido entre uma apresentação e outra, a plateia correria o risco de não prestar a devida atenção a nenhuma das duas.

 Ainda está em cartaz, no Supremo Tribunal Federal, o último capítulo do processo contra os réus do núcleo principal do complô do golpe. Mas o show da democracia tem que continuar.

 A contagem regressiva para que o Supremo torne as condenações definitivas e irrecorríveis, impõe às Forças Armadas o lançamento de um espetáculo novo: o ritual da desonra de Bolsonaro e seus aliados de farda…

Junto com o capitão, líder da organização criminosa do golpe, já foram condenados por crimes contra a democracia três generais (Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira) e um almirante (Almir Garnier).

 Exército e Marinha devem ao país informações sobre o processo de expurgo dos cinco membros do estado-maior do golpe. Precisam perder as patentes. Deveriam ser expulsos também da folha de aposentados. Mas a encenação inclui as mortes simuladas.

 Ainda que sejam punidos com rigor máximo pelo Superior Tribunal Militar, Bolsonaro e seus aliados de farda serão declarados "mortos fictos" —ou "mortos vivos". Os vencimentos passam a ser recebidos por familiares.

 Há cerca de 600 defuntos de papel nas Forças Armadas. Esposas, companheiras e filhas de militares expulsos recebem do tesouro algo como R$ 25 milhões por ano. A remuneração de zumbis golpistas por meio de familiares adicionará escárnio à aberração.