segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

Truque de IA na convenção do PL poderá gerar inelegibilidade de Flávio

 Doutor Wálter Maierovitch

Colunista do UOL

 

27/07/2026 11h42

Tumultuar, consumar ilegalidades e proibições judiciais para jogar com o fato consumado e espernear depois sempre foi a marca registrada dos Bolsonaros. Eles se fingem de vítimas de perseguições políticas, difundem o ódio e sobrevivem da polarização.

Esse tipo de conduta com marca registrada ocorre por ações dos próprios Bolsonaros ou por interpostas pessoas.

Na convenção partidária de confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro, ocorrida no último sábado, não foi diferente

Truque grosseiro

Na convenção do PL, um truque grosseiro foi exibido em vídeo, com auxílio de instrumentos da Inteligência Artificial (IA).

Na verdade, buscou-se uma burla às proibições constitucionais, penais e judiciais de Jair Bolsonaro se manifestar eleitoralmente.

Como se sabe, o ex-presidente está com direitos políticos e cidadania suspensos em face de condenação definitiva emanada do STF (Supremo Tribunal Federal).

Por meio do uso de deepfake, técnica que emprega a inteligência artificial para criar adulterações, exibiu-se uma montagem de Jair Bolsonaro…

Imagem criada, mas com discurso de conteúdo fidelíssimo ao pensamento de Jair Bolsonaro. 

Atenção ao conteúdo:

“Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária, baseada em algo que eu nunca fiz. Mas eu garanto: nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que carregamos. Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé. O Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente."

Essa burla montada teve o aval do partido promotor da convenção — o PL, representado ao vivo e em cores reais por Valdemar Costa Neto, partícipe da ilegalidade.

Usando uma comparação, seria como se Albert Einstein, por adaptações de fotos e filmagens antigas, fizesse uma exposição em vídeo, com fidelidade absoluta da sua teoria da relatividade.

A farsa rocambolesca da convenção do PL, com ativa participação e conivência de Flávio Bolsonaro, teve como abertura um aviso plantado, para uso em futura alegação, perante a Justiça Eleitoral, de exclusão de responsabilidade:

"Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial."

Como se nota, nenhuma explicação se prestou sobre o conteúdo proibido.

Diante do sucedido, alguns questionamentos já estão sendo feitos. De permeio , os advogados do PL entendem não ter havido nenhuma ilicitude.

Volta à Papudinha?

Repito, houve intencional artimanha para driblar proibições, para refletir no processo de execução das penas impostas a Bolsonaro com trâmite no STF e, também, na Justiça Eleitoral.

Na execução penal, existe concessão de medida humanitária, com base em risco à saúde do preso, com tudo atestado por laudos médicos. E esse benefício não pode ser revogado com base em falta disciplinar.

Submeter o preso doente, no caso de Jair Bolsonaro, a tratamento desumano — na hipótese da cessar assistência necessária e colocar o preso em lugar inadequado — significaria imposição de pena extra, desumana, geradora de   sofrimentos ou até risco de morte.

 -Ninguém pode receber sanção extra, não prevista na sentença…

Assim, a volta de Jair Bolsonaro ao presídio da Papudinha não pode decorrer de ato de indisciplina e de descumprimento de dever do preso condenado.

Tem mais, atenção. Nunca haverá prova, no caso confissão, de Jair Bolsonaro ter sido consultado e autorizado o vídeo e o conteúdo montados. A responsabilidade criminal ou eleitoral não se presume.

           Inelegibilidade de Flávio

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem resolução, com força de lei, que proíbe o uso de deepfakes. A vedação vale para as campanhas e, evidentemente, para a fase antecedente — ou seja, de escolha dos candidatos.

Diante do que ocorreu na convenção do PL, com burla descarada, caberá ao Ministério Público Eleitoral e a partidos políticos, coligações e candidatos (já escolhidos em convenção e com registro de candidatura pendente de aprovação) representar ao corregedor-geral para apurações das ilicitudes e abusos. Esse é o caminho para proteção dos eleitores e respeito à Justiça Eleitoral, que não pode ser desmoralizada.

O pedido de providências, com possibilidade de instauração de ação de Investigação Judicial Eleitoral pelo corregedor, está previsto no artigo 22 da Lei Complementar 64/1990.

Observados os ritos e garantida ampla defesa, a procedência da ação, julgada pelo Tribunal e com o corregedor como relator, implicará a inelegibilidade do representado (Flávio Bolsonaro) e de quantos hajam contribuído para a prática do ato (Valdemar Costa Neto). Ainda que após a proclamação dos eleitos, como diz a lei.

postado no UOL. 

 

 Competência e a seriedade de Dalcolmo e a desfaçatez dos Bolsonaros.

Publicado por  Kakay

 DCM.

 Atualizado em 24 de julho de 2026 às 9.00hs



                                     Jair Bolsonaro durante a pandemia. Foto: reprodução

Por Kakay em Poder 360

O velho abutre é sábio
e alisa as suas penas.
A podridão lhe agrada
e seus discursos
têm o dom de tornar
as almas mais pequenas.”

–Sophia de Mello Breyner, no poema “O Velho Abutre”

A médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo impressiona pela clareza, inteligência e confiança que transmite nas entrevistas. Ela exala competência e seriedade. Nos tempos tristes e desesperadores da pandemia de covid, a sua presença nos acompanhava e nos acolhia.

Trancados em casa, acompanhávamos, estarrecidos, a leitura macabra dos números de mortos anunciados diariamente. Além disso, cada um de nós, à época, carregava a dor e a preocupação por algum familiar ou amigo. Eu passei noites com 2 queridos irmãos, internados e entubados, com sérios riscos de morte. E os relatos se acumulavam sobre as mortes de parentes, amigos e conhecidos. Foi um pesadelo que ainda nos acompanha. E que sempre vai nos amedrontar.

Nesta semana, a Dra. Dalcolmo, durante um ciclo de debates sobre cinema e direitos humanos realizado na Estação Claro Rio, ao participar da exibição do documentário “Anatomia do Caos“, fez uma declaração que trouxe de volta toda tristeza, revolta e indignação pelo descaso oficial e criminoso do governo Bolsonaro com a pandemia. Ela, com a autoridade que ostenta, falou o que muitos de nós já intuíamos:

“720 mil mortes não é verdade. No Brasil, nós tivemos pelo menos 3 vezes o número registrado oficialmente de mortes por covid-19. Seguramente, nós tivemos mais de 2 milhões de mortos, seja pela doença aguda naquele momento, seja pelas doenças decorrentes das consequências e das sequelas decorrentes de uma infecção aguda de transmissão respiratória”.

É impossível esquecer que, em 7 de outubro de 2020, o general Pazuello, então ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro, afirmou, no evento de abertura da campanha Outubro Rosa, que "não sabia o que era o SUS!" Revoltante. Assassinos. Irresponsáveis. Malandros. Ignorantes. Na mesma solenidade, Michelle Bolsonaro e a então ministra Damares Alves falaram sobre a importância de a mulher cuidar do próprio corpo.

Impossível não lembrar do deboche irresponsável do hoje presidiário Bolsonaro quando tratava do tema covid: “Superdimensionado”; “Gripezinha”; “Resfriadinho”; “Não sou coveiro”; “Sou Messias, mas não faço milagres”; “País de maricas”; “Chega de frescura e mimimi. Vão ficar chorando até quando?”. Em 22 de janeiro de 2022, quando havia 622.801 mortos oficialmente, Bolsonaro disse, em entrevista em São Paulo, que o número de mortes de crianças era “insignificante”.

À época, a sociedade civil tentou, de diversas formas, responsabilizar criminalmente o então presidente Bolsonaro e seu bando. Eu mesmo assinei, junto com o Conselho Federal da OAB, uma representação dirigida ao procurador-geral da República para imputar culpa ao hoje presidiário Bolsonaro pela morte de milhares de brasileiros.

No Brasil, o Ministério Público é o titular da ação penal. Em certos casos, como nesse da denúncia por homicídio, só ele tem o poder de acusar formalmente e levar a questão ao Judiciário. Um poder inerte que só age quando provocado. Por isso, cunhei a expressão “poderes imperiais” para o procurador-geral.

No caso concreto, o Ministério Público quedou-se inativo. Ainda discutimos, à época, uma hipótese de queixa-crime subsidiária, mas encontramos o entrave quanto à legitimidade. Ou seja, nossa representação nem sequer foi analisada. E Bolsonaro, Pazuello e tantos outros se livraram da responsabilidade evidente. Sequer foram processados. Um acinte. Um crime dentro de outro crime.

É claro que os crimes não estão prescritos e, mesmo nos casos em que houve pedidos de arquivamento, parece evidente que há fatos novos que ensejam a reabertura. Os 2 milhões de mortos continuam rondando nossas mentes, insepultos pela violência da omissão, do descaso e dos atos criminosos. E os milhões de familiares e amigos restam indignados.

O que talvez mais assuste e cause perplexidade é o fato de o bolsonarismo ainda resistir! Como o líder, hoje presidiário, Bolsonaro só foi condenado e preso por outros fatos, disseminou-se uma ideia de perseguição política. Os bolsonaristas, em regra, são indigentes intelectuais. Acompanham, como um gado, o berrante da mentira e das promessas absurdas.

Ainda agora o número 1, senador, apresenta-se como candidato à Presidência da República. E tem uma legião de seguidores! E ele segue na mesma trilha do pai.

Nesta semana, fez um discurso em um evento privado, perante representantes de 42 países. No encontro, o candidato a candidato ousou afirmar que o Brasil utiliza urnas eletrônicas fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic e citou um relatório da CIA segundo o qual a companhia estaria envolvida em fraudes nas eleições da Venezuela em 2012.

Tal mentira já havia sido propagada pelo hoje presidiário Bolsonaro, na presença de embaixadores, em 2022, o que resultou em uma nota oficial do Tribunal Superior Eleitoral desmentindo a informação.

O ato do então presidente da República deu origem a um julgamento no qual o hoje presidiário foi condenado. O TSE declarou Jair Bolsonaro inelegível por 8 anos por abuso de poder econômico e uso inapropriado dos meios de comunicação na reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, em 18 de julho de 2022.

Ainda assim, o filho número 1, hoje pré-candidato, repete o discurso mentiroso que já resultou na repetição da mesma nota oficial do Tribunal Superior Eleitoral desmentindo o fato. É inacreditável. Podemos esperar uma nova pandemia, com a irresponsabilidade criminosa no seu enfrentamento.

O senador Flávio indica que seguirá rigorosamente a trilha nefasta do seu pai, hoje presidiário. Os bolsonaristas sobrevivem e se alimentam da mentira, da ignorância e da dor dos mortos. Deverão ser todos responsabilizados.

Lembrando-nos do velho Marx, no Dezoito Brumário:

“A história se repete, a 1ª vez como tragédia e a 2ª, como farsa.”

Kakay  




Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido pela alcunha de Kakay, é um dos maiores advogados criminalistas brasileiros. É também poeta e escritor.

 

terça-feira, 17 de março de 2026

 


                                               Elis eternamente....Elis !!!

                   Era abril de 1960...quanto tempo atrás. Eu tinha 10 anos de idade e  integrava o elenco de um programa chamado "Sonho Infantil" que era realizado todos os domingos em uma Rádio do interior do Rio Grande do Sul. Aquele domingo do mês de abril era um dia muito especial. No palco do Cine Serrano, palco esse utilizado como teatro em apresentações de cantores , artistas, políticos e peças teatrais, estaria uma cantora que começava a aparecer no cenário estadual e que se chamava Elis Regina. Era o ano do lançamento do primeiro disco da cantora,  disco esse chamado "Viva a Brotolândia" Gravadora Continental. Ela tinha 15 anos e o show seria realizado às 15:00hs. Os ingressos estavam esgotados e pela manhã fui com o pessoal da Rádio ao Hotel Rodoviário onde Elis estava hospedada com sua mãe Dona Ercy. Fui escalado para servir de "cicerone" dela e lá fui eu , feliz da vida, me sentindo a criança mais feliz da terra pela importância do acontecimento, participando de tudo ao lado da estrela principal da festa. Caminhamos da Rodoviária onde se situava o Hotel até o centro da cidade, visitamos a Igreja Católica e do outro lado da praça, a Igreja Evangélica, a praça central e..acabou o passeio. Nada mais havia a mostrar. O show a tarde foi um sucesso, Elis cantou as músicas do disco e ao terminar o show após atender os fãs no camarim voltamos ao Hotel Rodoviário para Elis e sua mãe pegarem suas bagagens , tomar o ônibus de volta para Porto Alegre. Nos despedimos, Dona Ercy me deu um beijo e me agradeceu pela hospitalidade. Aí...o agradecimento e o carinho de uma pessoa que me acompanhou nos pensamentos pelo resto da minha vida. Elis me deu um beijo no rosto e um bilhetinho com seu endereço  na Vila IAPI em Porto Alegre me convidando para visitá-la quando por lá aparecesse já que eu morava a 400km da capital. Isso nunca ocorreu pois não havia como isso acontecer, somente nos meus sonhos de guri. Passou alguns anos e vem o ano de 1966.  (Elis já não residia mais em Porto Alegre. Havia se mudado para o Rio de Janeiro no ano de 1964 onde estaria junto de praticamente toda as gravadores de discos nacionais e estrangeiras.  Minha família se mudou para  Porto Alegre em 1965 e fomos morar no bairro do Menino Deus. Cheguei atrasado para ir visitar "minha querida".)   Elis se apresentaria em um show no Auditório Araújo Viana promovido por um Jornal e uma Rádio de Porto Alegre, a Rádio Guaíba. Eu já estava informado do acontecimento e pensei..."é nessa que eu vou dar um jeito de chegar perto da Elis novamente" . O show era gratuito e consegui ingresso , e mais...consegui licença do meu pai para ir ao show. E lá fui eu...auditório completamente lotado. Antes se apresentaram vários músicos, um grupo de danças e um grupo chamado Caravelle. Tudo lindo, tudo para mim novidade. E a ansiedade de ver e escutar "minha querida" depois de tantos anos. E lá vem , Zimbo Trio , Jair Rodrigues e ela...nossa estrela maior....o povo veio abaixo,  era só alegria, as pessoas vidradas naquela baixinha espetacular que enchia nossos ouvidos e olhos com sua alegria e voz maravilhosa. Enchia o Palco com sua presença e junto com seus músicos e Jair Rodrigues, especialmente, encantava a todos.    Então...segue na próxima postagem...  
 OBSERVAÇÂO: Hoje,17 de março de 2026, Elis Regina, nossa Pimentinha, faria 81 anos na idade cronológica. Eterna em outra idade qualquer.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

 

             GUILHERME GASTALDELLO PINHEIRO SERRANO

 Presidente do INSS durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

INSS liberou em nome de crianças R$ 12 bi em empréstimos consignados

Órgão mudou em 2022 norma para permitir contratos sem autorização judicial


       Como diria a sensitiva,  aquela: vai vendo...vai vendo....o caminho da bandalheira oficializada.


Serrano foi diretor de Atendimento do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e, entre abril de 2022 e janeiro de 2023, assumiu a presidência do órgão, na gestão do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

 PF aponta “potencial conflito de interesses” no comparecimento de diretores do INSS a assembleia e eventos realizados pela Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).

“Em 31/08/2021, nos termos da ata registrada no 1º Ofício de Notas e Protesto de Brasília, foi promovida Assembleia em que foi deliberado que a CBPA poderia firmar ACT com o INSS para desconto de contribuição associativa diretamente na folha de pagamento de benefícios do INSS. Nessa assembleia, compareceu Guilherme Gastaldello Pinheiro Serrano, que foi Diretor de Atendimento do INSS e, posteriormente, Presidente da autarquia, de abril de 2022 a 02/01/2023”, detalha a investigação.

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 Aí pra completar editou a instrução abaixo sobre empréstimos no BPC para menores

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Instrução Normativa INSS Nº 136 DE 11/08/2022

Publicado no DOU em 12 ago 2022

Altera a Instrução Normativa INSS/PRES nº 28, de 16 de maio de 2008 , e a Instrução Normativa PRES/INSS nº 128, de 28 de março de 2022 .

O Presidente do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto nº 10.995, de 14 de março de 2022, e tendo em vista o que consta no Processo Administrativo nº 35014.157837/2022-79,

Resolve:

Art. 1º A Instrução Normativa INSS/PRES nº 28, de 16 de maio de 2008 , publicada no Diário Oficial da União - DOU nº 94, de 19 de maio de 2008, Seção 1, págs. 102/104, passa a vigorar com as seguintes alterações:

" Art. 2º .....

III - beneficiário: o titular de aposentadoria, de pensão por morte, da Renda Mensal Vitalícia, prevista na Lei nº 6.179, de 11 de dezembro de 1974 , de Benefício de Prestação Continuada - BPC, de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 1993 , e de benefícios que tenham como requisito para sua concessão a preexistência do benefício de prestação continuada de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 .

XX - representante legal: representante do titular do benefício, civilmente incapaz, na qualidade de curador, guardião ou tutor (nato ou judicial); e

XXI - procurador: representante do titular do benefício, civilmente capaz, outorgado mediante instrumento de procuração particular ou público."(NR)

" Art. 3º Os titulares de benefícios de aposentadoria, pensão por morte do RGPS, da Renda Mensal Vitalícia prevista na Lei nº 6.179, de 1974 , do BPC, de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 1993 , e de benefícios que tenham como requisito para sua concessão a preexistência do BPC de que trata o art. 20 da Lei nº 8.742, de 1993 , poderão autorizar os descontos no respectivo benefício, dos valores referentes ao pagamento de crédito consignado, concedidos por instituições consignatárias acordantes, desde que:

IV - fica a critério da instituição consignatária acordante a contratação de crédito consignado em benefícios pagos por meio de representante legal (tutor nato, tutor judicial, curador ou guardião).

VII - É vedado ao procurador que apresente instrumento de mandato particular ou que esteja cadastrado no sistema apenas para fins de recebimento do benefício, autorizar o bloqueio ou o desbloqueio de benefício para operações de crédito, salvo autorização expressa em instrumento de mandato público, para este fim."(NR)

" Art. 43 . Os beneficiários ou seus representantes legais, definidos nos incisos XX e XXI do art. 2º, observado o disposto no § 6º deste artigo, poderão, respeitado o disposto no § 2º do art. 1º, efetuar bloqueio ou desbloqueio do benefício para averbações de crédito consignado, a qualquer tempo, por meio de serviço eletrônico, mediante acesso autenticado.

Art. 2 º A Instrução Normativa PRES/INSS nº 128, de 28 de março de 2022 , publicada no DOU nº 60, em 29 de março de 2022, Seção 1, pág. 132, passa a vigorar com as seguintes alterações:

" Art. 633 . .....IN INSS 128-2022 Art 633

a) o desconto, seu valor e o respectivo número de prestações a consignar sejam expressamente autorizados pelo titular do benefício ou por seu representante legal, na qualidade de curador, guardião ou tutor (nato ou judicial);

III -

d) recebidos por meio de representante legal, na qualidade de administrador provisório ou representante de entidade de que trata o art. 92, do Estatuto da Criança e do Adolescente;" (NR)

Art. 3º Ficam revogados os seguintes dispositivos:

I - da Instrução Normativa INSS/PRES nº 28, de 2008 :

a) o inciso VI do art. 3º ; e

b) o inciso I do art. 11 .

II - da Instrução Normativa PRES/INSS nº 128, de 2008, as alíneas "c" e "e" do inciso III do art. 633 .

Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

GUILHERME GASTALDELLO PINHEIRO SERRANO

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O Ministério da Previdência Social exonerou, nesta quinta-feira (08/05/25), o coordenador-geral de Estudos Estatísticos, Atendimento e Relacionamento Institucional, Guilherme Serrano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), assinada pela chefe de gabinete, Louise Caroline Santos de Lima e Silva.

Presidente do INSS durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Guilherme Serrano foi dispensado do cargo que ocupava no Ministério da Previdência. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União de hoje.

O que aconteceu

Serrano chefiou INSS entre abril de 2022 e janeiro de 2023. Servidor de carreira do órgão, ele estava atualmente em um cargo comissionado no ministério, de coordenador-geral de estudos estatísticos, atendimento e relacionamento institucional…

Dispensa se dá em meio à crise no órgão. Uma operação da PF no final de abril expôs que ao menos R$ 6 bilhões foram desviados de aposentados e pensionistas por meio de descontos indevidos desde 2019…

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INSS liberou em nome de crianças R$ 12 bi em empréstimos consignados

Existem hoje, segundo o INSS, 763.000 empréstimos consignados ativos para menores de idade, com valor médio de R$16.000,00, segundo a presidencia atual do INSS

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Vem aí o espetáculo da desonra de Bolsonaro e oficiais golpistas…

    Josias de Souza   Colunista do UOL – publicado em 17/11/2025

Dois espetáculos não cabem no mesmo palco. Ou no mesmo evento histórico. Dividido entre uma apresentação e outra, a plateia correria o risco de não prestar a devida atenção a nenhuma das duas.

 Ainda está em cartaz, no Supremo Tribunal Federal, o último capítulo do processo contra os réus do núcleo principal do complô do golpe. Mas o show da democracia tem que continuar.

 A contagem regressiva para que o Supremo torne as condenações definitivas e irrecorríveis, impõe às Forças Armadas o lançamento de um espetáculo novo: o ritual da desonra de Bolsonaro e seus aliados de farda…

Junto com o capitão, líder da organização criminosa do golpe, já foram condenados por crimes contra a democracia três generais (Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira) e um almirante (Almir Garnier).

 Exército e Marinha devem ao país informações sobre o processo de expurgo dos cinco membros do estado-maior do golpe. Precisam perder as patentes. Deveriam ser expulsos também da folha de aposentados. Mas a encenação inclui as mortes simuladas.

 Ainda que sejam punidos com rigor máximo pelo Superior Tribunal Militar, Bolsonaro e seus aliados de farda serão declarados "mortos fictos" —ou "mortos vivos". Os vencimentos passam a ser recebidos por familiares.

 Há cerca de 600 defuntos de papel nas Forças Armadas. Esposas, companheiras e filhas de militares expulsos recebem do tesouro algo como R$ 25 milhões por ano. A remuneração de zumbis golpistas por meio de familiares adicionará escárnio à aberração.


sexta-feira, 14 de novembro de 2025

  


MOISÉS MENDES é jornalista e este texto foi repostado de seu Blog.
Guilherme Derrite e Hugo Motta em entrevista coletiva (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)
      A Polícia Federal vai pegá-los

“Bolsonaristas tiram proveito da confusão para fingir que estão caçando bandidos, mas a PF vai transformá-los em caça”, escreve Moisés Mendes

Qualquer estagiário do PCC em qualquer fintech da Faria Lima sabe o que Guilherme Derrite foi fazer em Brasília, chamado às pressas por Hugo Motta, pelo centrão e pela extrema direita. 
Mas os moradores de Lajeado, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, podem não saber direito, porque estão dedicados à reconstrução das suas vidas depois de uma tragédia. A maioria da população brasileira também não entende bem qual seria a missão de Derrite. 

O estagiário trabalha em casa, no sistema remoto, e tem tempo para vasculhar o que se passa no Brasil. Ele está sabendo que Derrite foi chamado a Brasília para reassumir sua cadeira de deputado e dar sequência ao marketing da matança no Rio. A extrema direita é que entende de caçada a bandidos. E Derrite, como policial da PM de São Paulo, seria um grande caçador.

O estagiário sabe que direita e extrema direita chamaram Derrite porque: 1. Ele é o cara da porrada da Rota. 2. É homem de Tarcísio, que se acha ainda no jogo. 3. Ele é candidato ao Senado e pode ser o nome de Tarcísio ao governo de São Paulo, se o extremista moderado decidir enfrentar Lula.

Mas o que o estagiário mais sabe é que Derrite voltou ao Congresso para afastar a Polícia Federal, se possível, dos cenários de todos os crimes organizados, do tráfico e das milícias às gangues das emendas.

Derrite quer tirar a PF não só de perto dos homens do PCC, mas principalmente dos políticos do bolsonarismo, dos executivos da Faria Lima e dos acumpliciados de outras áreas com os chefões que ele diz combater. 

Derrite tentou blindar, com suas versões do projeto antifacções, todos os que trabalham com e para o crime organizado dentro de estruturas de poder político e econômico, em governos estaduais, prefeituras, fintechs.

O estagiário sabe que ainda esse ano e principalmente em 2026 a PF vai fechar o cerco em torno da extrema direita associada ao crime organizado. Mas os moradores de Lajeado, no centro da região da tragédia da enchente do ano passado, talvez não saibam direito.

A grande maioria da população brasileira também não sabe, porque é preciso tocar a vida. Não sabe que foi a Polícia Federal que puxou o fio capaz de levar à localização de R$ 120 milhões destinados pelo governo federal ao socorro dos desabrigados da região de Lajeado. A PF tem indícios do desvio do dinheiro.

A Polícia Federal, que Derrite pretendia afastar de investigações envolvendo crime organizado e os políticos, pegou o secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano de Eduardo Leite, Marcelo Caumo. 

Caumo era prefeito de Lajeado quando os R$ 120 milhões teriam sido desviados em manobras fraudulentas. A Operação Lamaçal investiga suspeitos de mais nove municípios. É um começo, porque a tragédia que matou 185 pessoas atingiu mais de um terço do Estado. A PF vai pegar mais gente.

Mas o brasileiro médio, essa figura que acorda às 5h, pega metrô e dois ônibus para chegar ao trabalho, que não tem tempo para saber o que Derrite anda fazendo, esse brasileiro não sabe que o secretário de Segurança de Tarcísio foi chamado para fazer o serviço sujo na Câmara.

E o serviço, como relator do PL antifacções, começava pelo amordaçamento da Polícia Federal, que investiga as relações da Polícia Civil de Tarcísio e Derrite com o crime organizado, a partir da morte do delator do PCC Vinicius Gritzbach, há um ano no aeroporto de Guarulhos.

Pelo parecer de Derrite, a PF não deveria se meter em investigações sobre crime organizado. O deputado queria só as policiais locais, sob o mando dos governadores, ‘caçando’ bandidos grandes. As mesmas polícias que também estão na mira da PF como corruptas.

O estagiário do PCC na fintech da Faria Lima sabe o que Derrite pretendia. E percebe agora que a extrema direita vai perder mais uma, como vem perdendo desde aquele dia em que o chefe de Derrite disse que bebe muita Coca-Cola.

O que se lamenta é que os moradores de Lajeado e o brasileiro médio talvez não saibam o que estagiário está sabendo. E esse é o problema do governo, das esquerdas, dos democratas e de todos os antifascistas.

O brasileiro talvez não tenha se dado conta de que o plano de Derrite era blindar os parceiros. Se não houvesse essa irmandade dos políticos com os PCCs, talvez a preocupação não fosse tão grande.

Derrite estava tentando blindar os que lavam dinheiro do crime organizado. É gente que ele, como policial e homem da segurança, conhece bem. Tarcísio conhece. O fascismo de São Paulo conhece há muito tempo.

A estratégia falhou, como vem falhando tudo que eles têm tentado esse ano, com exceção da matança no Rio, considerada um sucesso. Eles terão que preparar novas eurekas mais adiante. Mas, como são imprevisíveis, não há nem como se preparar.

Líderes e mandaletes da extrema direita desorganizada tentam se reacomodar no cenário nacional em cima dos cadáveres do Rio e protegendo os seus que ganham dinheiro em sociedade com as facções. Mas a Polícia Federal vai pegá-los.





 

Do sertanojo ao nojo por Lô Borges e pelo Clube da Esquina, por Manoel Herzog



Quando eu costumava ser um operário na indústria, e depois, na advocacia trabalhista, sempre me absurdou a expressão "licença-nojo", aquele direito que o trabalhador tem, uns dias de liberdade do cativeiro liberal por conta do falecimento de um ente querido. Quando casa, tem direito a uma tal "licença-gala", termo que não deixa de ser interessante. As raízes ancestrais do termo "nojo", agregado ao conceito de luto e tão distante do sentido original, de repulsa, vêm do latim, pai do português arcaico e avô do moderno. O termo latino "nauseam", que derivou para nojo, significa pesar da alma, dor profunda moral, sensação insuportável. No arcaico equivalia à dor pela perda, no moderno ficou mais restrito à aversão por algo repugnante. Jean Paul Sartre deu à sua maior obra o título "A Náusea", falando do sentimento vigente na humanidade no século que consolidou o liberalismo econômico ao lado do conservadorismo moral. Faço este preâmbulo para dizer que estou absolutamente enojado da morte de Lô Borges. Eu e toda uma geração não superamos um luto recente, seguimos a sofrer, a inconformar, a não aceitar, por mais que os good vibes insistam em desejar ao espirito do finado uma senda de luz na eternidade etc

                    A morte do Clube da Esquina

A morte do Lô, junto à lenta e dolorosa agonia do Milton, representa a morte do Clube da Esquina, e a morte do Clube da Esquina nos enoja a todos, porque metaforiza a morte da música brasileira, talvez, neste país de tão retumbantes fracassos, nossa maior conquista civilizatória. Nossa economia é suja, formada sobre um leito de opressão e exploração, nosso direito é canalha, nossa política é podre, mas tínhamos a música, que hoje estertora em praça pública sob um mar de soja transgênica.

Com sua lucidez habitual, Zeca Baleiro, levado a BH por razões lutuosas distintas, aproveitou e foi prestar sua homenagem no velório do Lô. Proferiu uma sentença triste, mas verdadeira: não surgirão mais compositores feito o, ele pertence a uma era perdida. Talvez que o próprio Zeca seja o último titã (não a bandinha), não duvido, e não que nos faltem talentos, estes abundam, os talentos é que não têm mais vez.

                   Os verdadeiros mamadores

Bradam contra a Lei Rouanet os direitistas (seja lá o que for isso), mas os maiores mamadores de verba pública para apresentação de espetáculos musicais tétricos são uma lista que vai de Bruno and Mahoney até Gustavo Lima, passando por Zezé e afins. No dia que Lô Borges morreu eu me sentei num banco de shopping, aqui em Santos, e pus-me a ouvir a conversa de um senhor (devia ser dono da loja em frente) pra duas funcionárias, elencando suas preferências musicais. Ouvi de passagem os nomes do mesmo Lima, de Marilia Mendonça, de Chitãozinho. Cheguei a desejar-lhe as piores coisas, mas não quero julgar aquele senhor, ele tem até uma loja, é um vencedor, não quero julgar as vendedoras que ouvem esse monte de merda, foi o que se lhes deu a ouvir. Eu mesmo cresci ouvindo bossa nova e Silvio Caldas, contrariado, odiava, meu avô me obrigava a ouvir por osmose, não desligava a vitrola. Formei-me assim, sou este ranzinza. Aguardemos a ver no que resultará a formação cultural dessa geração que ouve agronejo. Não estarei pra ver, com a graça de Deus, em cujos braços pretendo estar quando se der a Revelação.

                            O paradoxo

O Clube da Esquina, paradoxalmente ao fato de ser o maior movimento contemporâneo da música nacional, foi justo o turning point que sepultou o samba e abriu caminho ao nefasto rock nacional e ao sertanejo, tudo sob o elegante nome "folk"., o beatle-barroco, congrega a tradição brasileira das Geraes e aponta pra um futuro cosmopolita. O processo civilizatório desses mais de 500 anos de nação segue um fluxo natural, do litoral ao interior profundo. Nossa literatura nasce carioca e portuária, vai numa trilha (a Estrada Real?) de Machado de Assis país adentro até encontrar Rosa. Da mesma forma a música, que atinge, depois de Villa Lobos e Pixinguinha, um ápice com Antônio Carlos Jobim e que, através do grande Maestro carioca, ruma Brasil adentro pra encontrar o Clube. Nós perdemos o trem azul da história, contudo.

Penso que o encontro da wave universal com o Brasil profundo merecesse digestão mais lenta, feito a da velha sucuri dos confins selváticos. O atropelamento, a violência do processo, que começa tão lindo (vide Rosa, vide Clube da Esquina) devia se consolidar melhor, maturar, é da natureza da cultura cultivar, dar um tempo, curtir. Não, avançaram feito uns desgraçados pro interior profundo, sem formar uma tradição, o que resultou, em literatura, na infantilidade da poesia contemporânea herdeira de Manoel de Barros (que venham as pedras), e, na música, no rock nacional do cerrado e no sertanejo de soja que empesteia os palcos das prefeituras brasileiras. (que venham mais pedras).

 Brasil está enojado da morte do Clube da Esquina, é insuportável. Sem ter merecido a reverência devida, atropelado pelo processo econômico tão eficiente em produzir arte de má qualidade. Não conseguiremos nos conformar tão cedo, que Deus conforte o nosso coração.