quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Felicidade Parte IV Herman Hesse




"Foi nos meus tempos de menino de escola, e o singular, legítimo, primitivo e mítico nessa experiência, o estado de ser um com o mundo num riso silencioso, a total liberdade em relação a tempo, esperança e temor, o absoluto presente não pode ter durado muito, talvez não mais do que alguns minutos.
Certa manhã - eu era menino agitado, de uns 10 anos -, acordei com uma sensação inusitada, profunda e doce, de alegria e bem estar, que me iluminava inteiro como um sol interior, como se agora mesmo, naquele instante do despertar de um bom sono de menino, algo de maravilhoso, de novo me tivesse acontecido, como se todo o meu pequeno-grande mundo de menino estivesse numa situação nova e mais elevada, tivesse entrado em outra luz e clima, como se só agora, cedo de manhã, toda a bela vida tivesse adquirido todo o seu valor e sentido. Eu nada sabia de ontem nem de amanhã, estava rodeado e inundado daquele hoje feliz. Aquilo fazia bem, e meus sentidos e minha alma o saborearam sem curiosidade nem justificação. Aquilo me invadia e tinha um gosto magnífico.
Era de manhã, pela janela alta eu vi sobre a longa cumieira do telhado do vizinho o céu alegre de um azul-claro puro, também ele parecia feliz como se pretendesse coisas especiais e tivesse posto para essa ocasião sua melhor veste. Não se via mais do mundo ali da minha cama, só aquele elo céu e o longo pedaço de telhado da casa vizinha, mas também esse telhado, esse telhado monótono e desinteressante de telhas castanho avernelhadas parecia rir, sobre uma parede oblíqua íngreme e sombreada perpassava um leve jogo de cores, e uma única telha de vidro azulada no meio das de cor vermelha parecia viva, parecia alegremente desejosa de espelhar algo daquele céu matinal de brilho leve e permanente.
O céu, a quina um tanto grosseira da cumieira do telhado, o exército uniforme das telhas marrons e o azul translúcido da única telha de vidro pareciam harmonizar-se de maneira bela e alegre, nada queriam, visivelmente, senão naquela hora matinal especial rir umas com as outras, e querer-se bem.
Azul-celeste, marron telha e azul vítreo pertenciam uns aos outros, brincavam entre si, sentiam-se bem, e era bom e fazia bem vê-los assim, participar do seu brinquedo, sentir-se inundado, como eles, pelo mesmo brilho da manhã e pela mesma sensação de bem estar.
Assim, no começo da manhã, fiquei deitado saboreando junto com tudo isso  a calma sensação do sono que recém acabara, uma bela eternidade em minha cama, e, se saboriei felicidade igual ou semelhante mais vezes em minha vida, nenhuma poderia ser mais profunda e mais real: o mundo estava em ordem.
E, se essa felicidade durou cem segundos ou dez minutos, era tão atemporal que se parecia tão perfeitamente com qualquer outra felicidade legítima quanto uma borboleta azul se parece com outra. Aquilo foi transitório, foi recoberto pelo tempo, mas era profundo e eterno o bastante para depois de mais 60 anos ainda me chamar e atrair, e eu, com os olhos cansados e dedos doloridos, ainda tenho de me esforçar para o invocar e lhe sorrir, e o descrever. Essa felicidade não consistia nada além da harmonia de algumas poucas coisas ao meu redor com o meu próprio ser, um bem-estar sem desejos, que não exigia nenhuma mudança nem intensificação.
Ainda estava tudo quieto na casa, e também lá fora não se ouvia um som. Se não fosse esse silêncio, provavelmente a lembrança dos deveres cotidianos, da necessidade de levantar-me e ir à escola, teria perturbado meu bem estar. Mas óbviamente não era nem dia nem noite, era a doce luz e o azul risonho, sem passos de criadas nas lajes do pátio nem porta rangendo, nem padeiro subindo as escadas. Esse momento matinal estava fora do tempo não levava a nada, não indicava nada iminente, bastava-se a si mesmo, e como me incluísse inteiramente, para mim não havia dia nem pensamento de levantar ou ir à escola, nem tarefas mal cumpridas nem vocábulos mal aprendidos, café da manhã apressado na arejada sala de jantar.
A eternidade da felicidade dessa vez foi desfeita pela intensificação do belo, por um mais e demais de alegria. Enquanto eu estava ali deitado sem me mover, e o silencioso e claro universo matinal penetrava em mim e me absorvia, algo inusitado, algo brilhante e excessivamente claro e dourado e triunfante varou o silêncio, cheio de uma atrevida alegria, pleno de uma doçura sedutora e inquietante: o som de uma trombeta.
E, enquanto eu, só agora plenamente desperto, me sentei na cama afastando os cobertores, o som mostrou ser de duas vozes, de mais vozes ainda: era a banda da cidade que marchava pelas ruelas, um acontecimento muito raro e excitante, cheio de uma festividade barulhenta que fez meu coração de criança rir e soluçar a um tempo, como se toda a felicidade, todo o encanto daquela hora sublime tivesse se diluído naqueles sons agridoces e excitantes., e agora se derramasse, despertado e retornado ao temporal e ao transitório.
Saí da cama num segundo, tremendo de alegria solene, corri atravessando a porta para o quarto ao lado, de cuja janela se via a rua. Num tumulto de encanto, curiosidade e desejo de participar, debrucei-me numa janela aberta, escutei feliz os sons altivos da música que aumentavam e vi e ouvi as casas vizinhas e as ruas acordando, tomando vida e enchendo-se de rostos, figuras e vozes - e no mesmo segundo eu soube também tudo aquilo que esquecera inteiramente naquele momento de bem-estar entre sono e dia. Eu soube que  com efeito naquele dia não haveria aulas, era um feriado importante, penso que era aniversário do rei, haveria desfiles, bandeiras, música e uma alegria inusitada.
E, sabendo disso eu tinha voltado, estava novamente submetido às leis que regem o cotidiano, e ainda que não fosse um cotidiano, mas um dia de festa para o qual eu fora despertado pelos sons de  metais, o verdadeiro e belo e divino naquele encanto matinal passara, e sobre aquele pequeno milagre suave voltaram a se fechar as ondas do tempo, do mundo, da banalidade."

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Felicidade - Parte III Herman Hesse


" Sonhar com aqueles tempos florescentes foi-se perdendo aos poucos, líamos livros de história, líamos Schopenhauer, desconfiávamos do superlativo e das belas palavras, aprendemos a viver espiritualmente em um clima abafado e relativizado - e mesmo assim a palavra felicidade , onde quer que a encontrássemos inesperadamente, soava com o velho som dourado e cheio , continuava sendo pressentimento ou memória de coisas de altíssimo valor. Talvez, pensávamos por vezes, pessoas simples e infantis podiam chamar de felicidade aqueles bens concretos da vida, mas nós pensávamos antes em algo como  sabedoria, superioridade, tolerância, certeza da alma, tudo o que era belo e nos alegrava, mas sem merecer um nome tão arcaico, pleno e profundo como felicidade.
Entrementes minha vida pessoal chegara a um ponto em que eu sabia que não era feliz, e que também a busca da chamada felicidade não tinha ali espaço e sentido. Numa hora patética eu talvez designasse essa situação como Amor Fati mas no fundo nunca tive grande tendência para o pathos, a não ser em breves exceções e breves estados de excitação. E também o amor sem desejo e nada patético, à Schopenhauer, não era mais meu ideal absoluto, desde que eu aprendera aquele modo silencioso, inaparente, lacônico e sempre um pouquinho zombeteiro de sabedoria em cujo solo brotara, os relatos da vida dos mestres chineses e as parábolas do Tchuang Tsi.
Bem, não quero divagar. Pretendo dizer algo bastante definido. Primeiro, e para não perder o fio, tento formular com palavras abrangentes qual o conteúdo e significado que tem para mim hoje em dia a palavra felicidade. Hoje entendo por felicidade algo bem objetivo, isto é, a totalidade mesma. O ser atemporal, a eterna música do universo, isso que outros chamaram de harmonia das esferas ou sorriso de Deus. Esse conceito, essa música infinita, essa eternidade de sons plenos e de brilho dourado é presente puro e perfeito, não conhece tempo, história, antes e depois. Eternamente brilha e ri o semblante do mundo, enquanto seres humanos, gerações, povos, reinos, surgem, florescem e novamente caem nas sombras e no nada. A vida produz uma música permanente , dança incessantemente sua ciranda, e o que a nós efêmeros, a nós ameaçados e caducos mesmo assim é dado em alegria, conforto e riso, é luz que vem de lá, é um olho cheio de brilho e um ouvido cheio de música.
Se alguma vez realmente houve aquelas pessoas lendariamente "felizes", ou se aqueles felizardos louvados com inveja, os filhos do sol e os senhores do mundo foram iluminados pela grande luz apenas em horas ou momentos festivos e abençoados, não tiveram outra felicidade nem partilharam de nenhuma outra alegria.
Respirar num presente perfeito, cantar no coro das esferas, dançar na ciranda no mundo, rir com o eterno riso de Deus, é o que nos cabe como parte da felicidade. Muitos só tem isso uma vez, muito poucas vezes. Mas quem o viveu não foi feliz só por um instante, pois levou consigo algo desse brilho e melodia, dessa luz da alegria atemporal, todo o amor que foi trazido a este mundo pelos amantes, todo o consolo e alegria que foi trazido pelos artistas, e às vezes séculos depois continua brilhando como no primeiro dia, vem de lá.
No curso de uma vida inteira cheguei a esse significado abrangente, universal e sagrado da palavra felicidade, e talvez seja preciso dizer expressamente àqueles de meus leitores que ainda são meninos de escola, que não estou aqui fazendo filologia, mas contando um pedacinho da história de uma alma, e que estou muito longe de os estimular a também darem em sua linguagem oral e escrita o mesmo tremendo significado à palavra felicidade. Mas para mim, em torno dessa sublime, dourada e simples palavra reuniu-se tudo o que desde a infância senti ouvindo-a.
A sensação era evidentemente mais forte na criança, a resposta de todos os sentidos a suas qualidades sensórias e à sua convocação eram mais intensas e mais ruidosas, mas, se a palavra em si  não fosse tão profunda, tão arcaica e tão universal, minha idéia do eterno presente, do "rastro dourado" (na boca de Goldmund) e do riso dos imortais ( em "O Lobo da Estepe") não se teria cristalizado em torno dessa palavra.
Quando pessoas que envelheceram tentam recordar quantas vezes e com que intensidade sentiram felicidade, procuram primeiramente em sua infância, e isso é correto, pois para vivenciar felicidade é preciso sobretudo independência do tempo, e com isso do medo e da esperança, e em geral com os anos as pessoas perdem essa capacidade. Mesmo eu, quando tento recordar momentos em que participei do brilho  do eterno presente, do sorriso de Deus, volto sempre a infância e encontro lá as mais frequentes e valiosas experiências desse tipo. É verdade que os tempos alegres da adolescência eram mais coloridos, festivos e agitados, o espírito participava mais deles do que nos anos de infância.
Mas, olhando melhor e melhor, ali havia mais divertimento e graça do que realmente felicidade. A gente era divertida, engraçada, espirituosa, a gente fazia muitas boas brincadeiras. Lembro de um momento no grupo de meus colegas no florido tempo da juventude: um inocente perguntou, na conversa, o que era afinal um riso homérico, e eu respondi com uma risada ritmada, que se escandia precisamente como um hexâmetro.
Todos riram alto, brindaram tocando os copos, mas momentos desses não se sustentam quando lembrado mais tarde. Tudo aquilo era bonito, foi divertido, saboroso, mas não era felicidade.
Depois de analisar isso por algum tempo, a felicidade parecia ter sido experimentada só na infância, em horas ou momentos difíceis  de reviver, pois também ali no reino da infância o brilho nem sempre parecia legítimo quando bem examinado, o ouro nem sempre tão puro. Vendo bem, restavam apenas poucas vivências, e também  elas não eram quadros que se pudessem pintar, histórias que se pudessem contar, esquivavam-se agilmente quando questionados.
Se uma lembrança dessas se apresentava, parecia no começo tratar-se de semanas ou dias ou pelo menos um dia, um Natal quem sabe, um aniversário ou um dia de férias. Mas para reviver na memória um dia da infância seraim precisas mil imagens, e para nenhum único dia, nem mesmo para meio dia, a memória traria de volta quantidade suficiente de imagens.
Quer se tratasse de experiências de dias, horas ou minutos, vivi a felicidade algumas vezes, por instantes estive próximo dela. Mas daqueles encontros felizes do começo da vida, sempre que os convoquei, interroguei e examinei, um especialmente persistiu."

Sigo amanhã com a parte final da "felicidade" de Herman Hesse...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Felicidade - Parte II Herman Hesse

Herman Hesse

"Assim como houve músicos que preferiram certos instrumentos ou tonalidades de voz, ou se aborreciam particularmente com eles, ou deles desconfiavam, assim a maioria das pessoas, na medida em que têm um senso de linguagem, preferem certas vogais e séries de letras enquanto evitam outras; e, se alguém ama um escritor especial, ou o rejeita, também o gosto linguístico e o ouvido linguístico desse escritor participa disso, sendo familiares ou estranhos a seu leitor.
Eu poderia,por exemplo, mencionar uma série de versos e poemas que amei décadas a fio e ainda amo, não pelo sentido, sabedoria ou conteúdo em experiênia, bondade, grandeza, mas unicamente por uma determinada rima, um determinado desvio rítmico do esquema convencional, a escolha de vogais preferidas, que o escritor pode ter feito de modo tão inconsciente quanto o leitor que as exercita.
Da construção e ritmo do texto de Goethe ou Brentano, de Lessing ou E.Th.Hoffmann, pode-se deduzir muito mais sobre as características, a tendência física e espiritual do escritor, do que daquilo que esse trecho de prosa nos diz. Há frases que podem estar no texto de vários escritores, e outras que só seriam possíveis em um único desses músicos da linguagem. Para nós as palavras são a mesma coisa que as cores da palheta são para o pintor. Existem incontáveis delas, e surgem sempre novas, mas as boas palavras, as verdadeiras, são menos numerosas, e em 70 anos de vida não vi surgir nenhuma nova.
Também as cores não existem em muito grande número, ainda que sua tonalidade e misturas sejam incontáveis. Entre as palavras existem para cada falante  as prediletas e as estranhas, preferidas e evitadas, cotidianas - que usam mil vezes sem temer o desgaste - e outras - solenes - que, por mais que as amemos, só pronunciamos ou escrevemos com cuidado e reflexão, como objetos raros: fazendo as escolhas que correspondem a essa sua solenidade.
Entre elas está para mim a palavra felicidade.
É uma dessas que sempre amei e escutei com prazer. Por mais que se discuta e argumente sobre seu significado, seja como for, ela significa algo belo bom e desejável. E acho que o som da palavra corresponde a isso.
Parece-me que essa palavra, apesar de sua brevidade* ,(* referência a glück, palavra alemã para felicidade, que tem apenas uma sílaba (N.E.))  tem algo de espantosamente denso e cheio, algo que lembra ouro, e com certeza além da plenitude e densidade também lhe é próprio o brilho parece morar em ruas,  breves sílabas como o raio nas nuvens, começando tão fluída e sorridente, repousando com um sorriso no meio, e terminando de maneira tão decidida.
Era uma palavra para rir e chorar, cheia de fascinação e sensualidade. Se a quiséssemos sentir direito, bastava colocar ao lado desse dourado algo tardio, plano, fatigado, de níquel ou cobre, como realidade ou utilidade, e tudo ficaria claro. Sem dúvida, ela não nascia de dicionários nem salas de aula, não era inventada, derivada ou composta, era algo uno e redondo, perfeito, vinha do céu ou da terra como luz do sol ou uma visão de flores. Que bom, que felicidade, que  consolo, haver palavras assim! Viver e pensar sem elas seria murcho e ermo, seria como viver sem pão nem vinho nem música nem riso. Para esse lado, o natural e sensório a minha relação com a palavra felicidade nunca se desenvolveu nem modificou, a palavra contínua hoje tão breve e pensada e brilhante como sempre, eu a amo ainda como amei na meninice.
Mas o que esse símbolo mágico significa, o que se quer dizer com essa palavra tão simples quanto densa, sobre isso minhas opiniões e pensamentos mudaram muito, e só muito tarde chegaram a uma conclusão clara e determinada. Até bem depois da metade da minha vida eu a aceitava sem a examinar, certo de que na boca das pessoas felicidade era algo positivo e absolutamente valioso, mas no fundo meio banal.
Bom berço, boa educação, boa carreira, bom casamento, progresso na casa e na família, respeito das pessoas, bolsa cheia, baús repletos, pensáva-se em tudo isso ao dizer "felicidade", e eu fazia como todo mundo.
Parecía-me haver as pessoas felizes e as outras, assim como havia as sensatas e as outras. Também falávamos de felicidade na história universal, pensávamos conhecer povos felizes, épocas felizes. Mas nós mesmos vivíamos no meio de um período inusitadamente "feliz", estávamos rodeados da felicidade de uma paz prolongada, de uma ampla liberdade, de um importante conforto e bem-estar, como num banho morno, e mesmo aasim percebíamos isso, aquela felicidade era apenas natural, e nós jovens naquele momento aparentemente tão amável, confortável e pacífico éramos esnobes e céticos, coqueteávamos com a morte, com a degeneração, com a interessante anemia, falando da Florença do Quatrocento, da Atenas de Péricles e de outros tempos passados como sendo "felizes". "
Amanhã, sigo postando..pois tem mais..bem mais meus queridos. avant!!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Felicidade...Herman Hesse.


Herman Hesse (1877-1962) escritor alemão, suiço por adoção, era um escritor cuja sensibilidade  se afinava ou harmonizava de modo feliz com o clima dos anos da contracultura e do movimento hippie e, por isso ele voltou a se tornar um sucesso entre os jovens de então. Sempre gostei de ler Herman Hesse e gostaria de passar algumas pinceladas em meu blog sobre esse escritor, tão importante na literatura mundial. Li esse texto "Felicidade" que foi publicado no Brasil pela editora Record lá por volta de 1999 ou 2000, fim de século, início de um novo.; Vou postá-lo em duas ou tres partes para meus amigos poderem ler e meditar, essa maravilha pensada e escrita por Herman Hesse, natural do povoado de CALW, Alemanha, e que aos 35 anos deixou seu país natal, rompendo com sua família e seu País,  se instalando na localidade  de Montagnola na Suiça, onde ficou até o final de sua vida. Vale a pena. Boa leitura.
" O ser humano, como Deus o imaginou e a literatura e sabedoria dos povos o entenderam por muitos milhares de anos, foi criado com uma capacidade de alegrar-se com as coisas mesmo que não lhe sejam úteis, com um orgão reservado para apreciar o que é belo.
Espírito e sentidos sempre participaram em igual medida nessa alegria do homem pelo belo e, enquanto pessoas forem capazes de se alegrar, no meio de pressões e perigos, com coisas como as cores da natureza ou um quadro pintado, o chamado da voz da tempestade ou da música feita pelo homem, enquanto atrás da superfície dos interesses e necessidades o mundo puder ser visto ou sentido como um todo onde existe uma ligação do movimento de um gato com as variações de uma sonata, do comovente olhar de um cão com a tragédia de um escritor, num reino múltiplo de mil relações, correspondências, numa linguagem eternamente fluindo para dar ao ouvinte alegria e sabedoria, divertimento e emoção - enquanto isso existir, o homem poderá sempre voltar a dominar suas fragilidades  e atribuir um sentido à sua existência, pois "sentido" é aquela unidade do múltiplo, ou aquela capacidade do espírito de pressentir unidade e harmonia na confusão do mundo.
Para o verdadeiro ser humano, íntegro, inteiro e intacto, o mundo se justifica e Deus se justifica incessantemente através de milagres como este: que além do frio da noite e do fim do período de trabalho exista algo como a atmosfera vermelha no crepúsculo e as fascinantes transições do rosa ao violeta, ou algo como as mutações do rosto de uma pessoa quando, em mil transições é recoberta, como o céu noturno, pelo milagre do sorriso ; ou que existam as naves e janelas de uma catedral, a ordem dos estames no cálice da flor, o violino feito de madeira, a escala de sons, algo tão inconcebível, delicado, fruto do espírito e da natureza, racional e ao mesmo tempo supra-racional e infantil como a linguagem.
A linguagem com suas belezas e surpresas, seus enigmas, sua aparente perenidade, mesmo assim não está livre de fraquezas, enfermidades, perigos aos quais está exposto tudo o que é humano - e isso a torna para nós, seus discípulos e servos, um dos mais misteriosos e nobres fenômenos na Terra.
E não é apenas que cada povo ou comunidade cultural tenha criado a linguagem que corresponda a suas origens e ao mesmo tempo sirva aos seus projetos ainda não pronunciados não apenas que um povo possa aprender, admirar, rir da linguagem de outro povo e mesmo assim nunca a entender inteiramente! Não: também para cada indivíduo, na medida em que ele não viva em um mundo ainda afásico ou excessivamente mecanizado, e por isso mesmo novamente afásico, a linguagem é um bem pessoal; para cada falante, portanto para cada ser humano inteiro e íntegro, palavras, sílabas, letras, formas e as possibilidades da síntaxe, têm seu valor especial que só a elas cabe, e cada linguagem legítima pode ser sentida e vivida por cada pessoa de maneira totalmente pessoal e única, ainda que ela não se dê conta de nada disso."
Amanhã tem mais...e tenha a certeza....é muito bom ler Herman Hesse....

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

"Tudo pago com dinheiro público..."- nobre vereador em TAUBATÉ SP

RODSON LIMA (PP) vereador em TAUBATÉ SP

Aos indignados. Uma preciocidade dessas não poderia deixar de ser comentada aqui no blog do defensor de causas perdidas. Pelo menos o desabafo de quem não consegue ficar quieto diante de tanta senvergonhice que toma conta do Brasil do futebol e carnaval. Agora trátase de um vereador. safado, criminoso, debochado, ridículo e lidimo representante da classe mais enxovalhada da nação. O nome da peça é RODSON LIMA e é vereador na cidade de Taubaté, São Paulo pelo partido denominado PP. O energúmeno está hospedado em um Hotel em  Sergipe onde deve ter ido a algum congresso, desses congressos organizados sómente com o fim de alguém ganhar algum e para que os participantes peguem suas espôsas, filhos e penduricalhos e tirem alguns dias de férias por conta, claro, do Poder Público, ou seja, o seu dinheirinho recolhido de impôsto. Esses sujeitos passam o ano inteiro viajando por nossa conta e se isso não bastasse temos que ouvir esse apedeuta, descarado, imoral, debochar de seus eleitores numa página na internet e dando uma entrevista a um canal de televisão. “Nesse momento, estamos hospedados em um hotel cinco estrelas, com uma 'big' de uma piscina e de frente para o mar. Tudo pago com dinheiro público. O povo me dá vida de príncipe”, dizia a mensagem postada pelo político em uma página do Facebok criada para discutir eleições no ano que vem. E tem mais, : "Eu descobri que o hotel é três estrelas, mas pra mim é como se fosse um palácio. Eu estou conversando com você na janela e tem uma piscina de 40 metros com cachoeira, é brincadeira?!" "Vivo a vida de príncipe há 15 anos. Dois motoristas, assessores, celular, assessoria jurídica, gabinete com ar condicionado... Inclusive até postei assim: engenheiros que são formados por Harvard, Yale, Michigan não desfrutam disso que eu desfruto. É muita honra que o povo me dá. Eu sou eternamente agradecido".   Fico pensando como pode um sujeito desse naipe chegar a esse ponto pois com certeza foi eleito e referendado pelo TRE de seu estado.  E como aqui no Brasil o povo é um bando de idiotas assumidos, tudo vai continuar assim até quando isso aqui virar numa bagunça ingovernável e os militares resolverem emparedar um par de gente. Daí vamos curtir mais uns 30 anos de ditadura, talvez o que realmente esteja fazendo falta a esse País. Cada dia isso aqui fede mais. e...fuiiii!!!!!
EM TEMPO: O vereador responde a 14 processos na Justiça Eleitoral e está inelegível para a próxima eleição, mas afirmou que deseja colocar os filhos dele na vida pública.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CORRUPÇÃO MADE IN BRAZIL.

Dados, levantamentos e análises sobre a corrupção no Brasil

(O Estado de São Paulo)
A frequência dos escândalos e o aumento dos casos envolvendo o desvio de recursos públicos levaram 64% dos brasileiros a acreditar que a corrupção aumentou nos últimos três anos, ou seja, de cada 10 pessoas, seis acreditam que a corrupção cresceu. O índice mundial de percepção,  no entanto, permaneceu inalterado na comparação com 2009. O Brasil ocupa a 69ª posição no Ranking  de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional com uma pontuação de 3,7 em uma escala de zero a dez, em que dez indica que os servidores são percebidos pela população como pouco corruptos e zero corresponde à percepção de corrupção disseminada. Em 2009, o Brasil ocupava o 75º lugar entre 180 países no ranking. Já a pesquisa Barômetro Global da Corrupção 2010, da Organização Transparência Brasil, os partidos políticos, o poder Legislativo e os policias  (especialmente os estaduais) estão entre os mais corruptos.

Enquanto isso, as denúncias no poder público não param de surgir. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tramitavam nos tribunais federais, em 2010, 2804 ações de crimes de corrupção, improbidade administrativa e lavagem de dinheiro, enquanto nos estaduais, 10104. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no ano passado, a corrupção teria causado a perda de recursos entre aproximadamente R$ 50,8 bilhões e R$ 84,5 bilhões. Considerando só o valor mínimo, seria suficiente a compra de 160 milhões de cestas básicas, ou a construção de 918 mil casas, ou ainda, 57 mil escolas.

Nova modalidade esportiva...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk   mais ummm.....heheheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!