terça-feira, 24 de maio de 2011

Enquanto isso no País dos descolados...hehehee

Ronaldinho Gaúcho - Caricatura do Blog do Amarildo.
TRIUNFO DAS NULIDADES
Ronaldinho Gaúcho ; R$ 1.400.000,00 por mês. -" Homenageado na Academia Brasileira de Letras"
Tiririca : R$36.000,00 por mês, fora os auxílios e mordomias de praxe.- "Membro efetivo da Comissão de Educação e Cultura do Congresso Nacional Brasileiro".
Professores brasileiros: Piso Nacional: R$ 1.187,00


Moral da História:
Os professores ganham pouco, porque só servem para ensinar coisas totalmente inúteis como: ler, escrever e pensar.
Sugestão ao Ministério de Educação :
Mudar a grade curricular das escolas, que passaria a ter as seguintes importantes matérias:
- Educação Física:  Futebol (pode ser profissional, de salão, handebol, ou assemelhados)
- Música: Sertaneja, Pagode, Axé, ou a novidade do momento: a Mistura com Luan Santana.
-História : Grandes Personagens da Corrupção Brasileira
                Biografia dos Heróis da Rede Globo, programa Big Brother.
                Evolução do Pensamento das "celebridades globais e afins"
                História da Arte: De Carla Perez a Faustão passando por Chitãozinho e Xororó.
-Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de Campanha.
                Cálculo percentual de Comissões e Propinas nas Licitações públicas.
                Como evoluir seu Patrimônio  20 X em apenas 05 anos.
-Português e Literatura: Cadeiras perfeitamente desnecessárias.
                Ou, aplicar a linguagem dos manos e dos "excluídos" do ensino.
Biologia, Física e Química: Excluídas sumariamente por excesso de complexidade.

E aí está a contribuição a este blog da Professora Gláucia Buckor de Camaquã RS. Agradecemos
a colaboração.   Bora...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sotaque+ Vocabulário. Gramática+Ortografia.

PARTE II - "nós pega peixe"

Bueno. Vamos falar mais um pouco ( ou muito)  sôbre o tema polêmico do"nós pega peixe" ou "os menino pega o peixe" tema esse abordado na minha post de ontem. É que assisti um debate na Rede News tendo a presença de uma "profe" chamada Maria do Pilar Lacerda, Secretária de Educação Básica do MEC e do Senador Cristovam Buarque, senador pelo Distrito federal, devidamente mediados pelo Sr. Alexandre Garcia , da Rede Globo de Televisão.  O tema me atrai muito pois como pertenço a classe dos indignados de plantão, preencho meu espaço de blogueiro que ainda me é dado ocupar, para manifestar certas inquietudes de brasileiro que sou, o que muito, me honra. Venho de uma turma la atrás que entre outras coisas aprendeu no colégio a civilidade, o amor a sua pátria sem essa de patriotismo barato. Sou do tempo que nós, alunos de qualquer educandário e isso abrange o sistema público ou privado, éramos tratados como alunos. Ponto. Estávamos lá para aprender. E aprender a cartilha ipsis literis ou , como queiram os literatos, ipsis verbis. Quando vejo essa "Profe" tentar justificar mais essa "cagada" do MEC, acho que nós, simples mortais aqui da terra, realmente vivemos  em um  mundo totalmente diferente que eles la no governo vivem. A ilustre sra. alega que esse livro ( Por uma vida melhor) é para jovens e adultos que não tiveram direito a educação e que vem de famílias não letradas. Defende a tese que eles precisam de proteção, que são discriminados nas saulas de aula, portanto, a proposta é: "dialogar com a forma com que ele fala,  mas mostrar que ele pode (atente para o grifo) falar diferente e corretamente. Em sendo assim, a impressão que nos causa é que : se vc falar assim, querido aluno, tudo bem!!! Sem problema. Nós entendemos que tem problema sim. E concordamos com a argumentação preciosa do ilustre Senador Cristovam Buarque que nos dá uma aula de conhecimento. Claro, conciso  e certeiro. Aponta o erro grave do MEC em permitir  que se passe a idéia de que falar diferente do certo é aceitável. Não pode ser aceitável do ponto de vista do MEC ! Simplesmente porque ele é quem regula a matéria e define, depois do crivo de especialistas o que deve ser remetido as escolas. E temos que preservar a qualquer jeito a forma oficial da língua portuguesa ou cairemos sem dúvida, na possibilidade de termos logo logo, dois, tres ou quatro idiomas a se falar em toda a federação. Isso aqui vai virar uma torre de babel, ninguém se entendendo. Vai ter a lingua dos "mano". A lingua dos nóis vai, nóis vem. A lingua da Favela da Rocinha, a lingua da  Favela do Esqueleto, a lingua gauchês, a lingua baianês, e assim por diante. Moçada. Nós só temos  UM IDIOMA oficial aqui no Brasil. Portanto, salvo melhor juízo, temos que ensinalo de uma forma e nós devemos obrigatóriamente, trazer os que falam errado para o lado do certo. Ponto. O resto, é divagação telúrica , viagem desses professores malucos que andam por aí inventando coisas. Aos que alegam que a -língua é dinâmica, concordo plenamente mas, com uma pequena ressalva. Até que o certo, deixe de ser certo, ela muda e aí se muda a maneira de falar - muda o oficial . Do jeito que vcs querem, vamos ter aqui no Brasil, segundo opinião do Senador Cristovam, a língua dos pobres sem educação e  a lingua dos ricos com educação. Todo mundo aceita e até acha lindo os gaúchos falar : Tu vai.
Errado gramaticalmente, com certeza o gaúcho que usar isso num concurso público vai tomar pau. Não passa em nenhuma entrevista para conseguir um emprego público. Numa empresa privada se o crivo é criterioso ele também vai entrar pelo cano na chegada. Sotaque e Vocabulário não tem nenhum problema ser variado. Agora, Gramática e Ortografia, temos que procurar uma só direção senão vamos dividir o País. E segue o Senador: " A língua, é viva sim. E quem sabe em algum momento vamos dizer o certo : " é menas" . A partir daí, passa a ser: menas ! O certo é dizer : "nóis vai". Muito bem. Mas passa a ser : êsse é o certo. No momento, a lingua portuguesa, única no Brasil, não é assim. Aí, argumenta a Profe : " não podemos deixar que alunos que tem dificuldade fiquem a parte, sejam discrimandos por não saberem a lingua". Pergunto eu a educadora: onde está a preocupação dos srs. com: os professores que são espancados em sala de aula pois disciplina não existe mais nas escolas. Onde estão vcs. que não se preocupam em defender os chamados Nerds, CDFS, alunos brilhantes que cursam os colégios e que são, estes sim, discriminados pelos demais por saberem ou procurar saber o correto.  Perguntas que certamente ficarão sem resposta. Simplesmente porque existem muitas razões que até a razão desconhece. E vcs. colaboram sim, sobremaneira,  desmanchando com os pés o feito por mãos criteriosas e preocupadas com o bom ensinamento dos nossos jovens. E já falei demais pro meu tamanho.
como diz meu irmão querido.... bora !

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Siguinti mano..nós pega os peixe, linpemo, fritemo e comemo, sacô?



por uma vida..."melhor"
"Siguinti mano". A polêmica do momento é sôbre o conteúdo do livro "Por uma vida Melhor",livro de autoria de vários "especialistas do assunto" . Juntaram um monte de gente para ensinar o aluno a pensar errado, escrever errado e falar mais errado ainda.  Uma das autoras do "livro didático de língua portuguesa"  adotado pelo Ministério da Educação (MEC) para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), nega que a obra ensine o aluno a usar a norma popular da língua. A "educadora" Helena Ramos mostra que o livro apenas ensina (sic)  aos alunos que é válido sim usar expressões como "nós pega peixe" ou outra maravilha como "os menino pega o peixe" . segue falando:
“Não queremos ensinar errado, mas deixar claro que cada linguagem é adequada para uma situação. Por exemplo, na hora de estar com os colegas, o estudante fala como prefere, mas quando vai fazer uma apresentação, ele precisa falar com mais formalidade. Só que esse domínio não se dá do dia para a noite, então a escola tem que ter currículo que ensine de forma gradual”. Que preciosidade. Chegamos ao fundo do fundo do poço no ensino aqui no Brasil. Aqui se faz o possível para diariamente rasgar tudo o que foi escrito e nos foi ensinado ao longo dos anos por pessoas realmente estudiosas e conhecedoras do assunto. Novos "educadores" estão aí, todos os dias avacalhando com tudo se arvorando no direito de criarem métodos totalmente sem fundamentos. Entendo eu, e entendo muito pouco do assunto mas como isso é uma questão de burrice e me incluo entre os equinos (me perdoem os burros) que uma pessoa que fala errado, escreve errado, pensa errado, vai fazer tudo isso sempre não importando onde e com quem esteja. E isso hoje está mais que sentido em todos os lugares que se vai. A moda agora é "naonde", "ni mim", niquando", "nóis vai", nóis vem", etc e coisa e tal. Sem falar nas linguagens "ultra modernas" da internet com seus "ks" ou na linguagem fedorenta dos "manos", cheia de malandragem e bandalheira. Se isso é educar Dona Helena e turma, coitados dos nossos filhos. Vocês rasgam a cartilha e com certeza existe alguma coisa por detrás disso. Lá na frente saberemos. Tomara que não seja tarde. Porque a educação se aprende em casa. Conhecimento na escola. E a aplicação disso tudo está nas ruas, no dia a dia de suas familias, no convívio com seu semelhamte. E o que se apresenta já, é o total desrespeito a tudo e a todos. E vocês educadores da modernidade são responsáveis sim por muita coisa disso. Então, minha senhora, para o bem da educação brasileira. Largue a profissão de educadora e...vá pescar!!!!
"Daí mano. eu queria apenas dá um relax no assunto aqui em pauta questionado pela otoridade essa. Nóis aqui nas periferia falemo assim mesmo, se ligô? i ni quando semo chamado a atenção os ermão aí tão totalmente errado, sacô? Siguinti...naonde que está escrito qui nóis aqui na comunidade têmo que escrevê e dar o lero desse geito culto de vcs? Ninunca, freguesia. O certo do anzol é ser torto, sacô? Então, si liga o meu. Vamu segui nessa de "  "nós pega peixe" ou "os menino pega o peixe" , sacô ? As profê aí da área é quem sabem. E elas estão falando, pronto. o resto, mano...é entulho, se liga? e quer saber mais....fui.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Rombo de partidos será coberto com dinheiro público

 
 
E a festa continua..hehee
Quando será que vai acabar essa bandalheira? Com a palavra os eleitores brasileiros...
 
Os rombos que o ano eleitoral de 2010 deixou nas contas do PT e do PSDB serão integralmente cobertos por recursos públicos em 2011, graças à manobra do Congresso que, em janeiro, elevou em R$ 100 milhões os repasses da União para o Fundo Partidário.
Depois de bancar parte da campanha presidencial de Dilma Rousseff, além de outros candidatos a governos estaduais e ao Congresso, o PT chegou ao fim de 2010 com um déficit de quase R$ 16 milhões - número divulgado semana passada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas receberá cerca de R$ 16,8 milhões extras neste ano graças ao incremento do Fundo Partidário, aprovado por unanimidade pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso e nem sequer debatido pelo plenário.
No caso dos tucanos, a receita extra será exatamente igual ao déficit nas contas de 2010: R$ 11,4 milhões. Como o PSDB tem uma dívida pequena de eleições anteriores, de cerca de R$ 500 mil, com essa ajuda poderá até encerrar o ano com superávit.
No total, o Orçamento da União destinará este ano R$ 265 milhões para o Fundo Partidário, ao invés dos R$ 165 milhões previstos. Mas os líderes partidários acharam pouco. Em uma articulação cuja paternidade nunca foi reivindicada, eles turbinaram o Fundo Partidário em 56% em termos reais, o maior aumento anual desde 1995, quando foi fixado em R$ 0,35 por eleitor.
A reportagem procurou os responsáveis pelas finanças dos dois partidos, João Vaccari Neto (PT) e Márcio Fortes (PSDB), mas não obteve resposta aos pedidos de esclarecimentos.
 As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Até amanhã senhores da terra sem dono!!!

domingo, 8 de maio de 2011

DIA DAS MÃES


Ilse Branca Eggler Ferreira
Minha mãe chamava Ilse Branca. Não gostava do Branca e olhava pra gente com carinha de reprovação quando assim nos dirigia a ela. Ilse Branca. É curioso como com o passar dos anos vamos voltando prá dentro da nossa mãe. Coisas que passaram sempre desapercebidas vão aparecendo em nossa memória e nos traz uma imensa vontade, inútil, de querer ela novamente aqui do nosso lado para prestarmos atenção em casa detalhe da sua mãe. Vemos a importância da pessoa que realmente é insubstituível nas nossas vidas. Lembramos de tudo, de quando ela nas madrugadas frias de inverno, levantou de sua cama quentinha para ver se os filhos estavam devidamente acomodados em suas camas, cobertinhos para não passar frio, ou pegar algum resfriado. A carinha de preocupação quando um dos filhos ia mal na escola, qual a dificuldade que estava ocorrendo para prontamente dar um auxílio. Nas ocasiões festivas lá estava ela, sempre pronta para organizar a reunião familiar.Entre muitas coisas de minha mãe, recordo quando por ocasião da Páscoa,  ela,  na cozinha, pintando cascas de ovos de galinha que ela vinha guardando alguns meses antes. Punha amendoim torrado no forno com açúcar e fechava a boca ca casquinha com papel colorido. Fazia bolachas cobertas com merengue, desenhos singelos mas que tinham amor em cada traço. Coloridas, deliciosas, eram motivo de deliciar-se com cada mordida. Providenciava os cestinhos de vime e lá dentro iam balinhas de goma, ovos de chocolate, ovos de açúçar cristalizados, e mais uma porção de guloseimas. Todos os filhos ganhavam por igual, cuidadosamente divididos todas as doçuras. No sábado a noite, tudo pronto e já devidamente escondido em lugares da nossa casa, vinha a preleção do que seria o Dia de Páscoa, o Domingo. A noite nos reunia a todos, na sala e afetuosamente contava histórias do coelho, isso claro, para dar aquele ar de suspense ao que aconteceria no dia seguinte.  Ali, já estávamos ansiosos, a mil, contando os minutos para a "chegada do coelho", cedinho, o mais cedo possível, levantar e sair a procura dos cestos de Páscoa. Eram escondidos em todos os cantos da casa. Geralmente um achava o cesto do outro pois todos continham os nomes de cada um dos filhos. Não se pode mensurar a alegria de uma criança na procura  desses cestinhos. Minha mãe estava ali, junto, participando na correria pela casa, seus olhos brilhando de felicidade em ver a alegria dos filhos. Tão pouco para tanta felicidade. Ela, na verdade, era quem mais estava feliz. Junto com seus filhos, todos felizes, ela feliz 5 vezes. Pelos 4 filhos e por ela mesma. Assim era a minha mãe. Hoje, ela não está mais conosco. Também perdi dois dos meus irmãos mais velhos assim como meu pai. Todos devem estar reunidos lá em cima olhando para mim e meu irmão Fernando. E, aqui neste dia especial quero dizer a todos eles que fazem falta em nosso convívio. Em especial a minha mãe querida. Que deu amor a tantas pessoas e que com certeza os que aqui na terra ainda vivem e a conheceram, retribuem a ela em recordação e carinho. E peço a todos que ainda tem suas mães a seu lado, prestem atenção, mas muita atenção a suas mães. Que a protejam e lhes dê muito, mas muito carinho pois lá na frente a vida irá lhe mostrar naturalmente o quão imnportante elas são em todos os minutos da sua vida. E a todas Mães deste mundo. Felicidades.
Até amanhã. 

sábado, 7 de maio de 2011

Cruzada, Renato Braz e Boca Livre



Vamos falar de música. Música é fundamental nas nossas vidas. E eu sempre cruzei por esse mundo da música tendo comigo que ela é indispensável  a minha sobrevivência. Por muitos anos vivi em função dela, ora como músico, ora como apreciador, ora como trabalho, enfim, sempre atado a música e músicos. Posto hoje esse inigualável grupo chamado Boca Livre. Uma das nossas preciosidades no cancioneiro brasileiro.  Criado em 1978  por  David Tygel e Maurício Maestro, teve a adesão de Zé Renato e Cláudio Nucci.  Logo em 1979 gravaram o primeiro longplay (Boca Livre). Daí pra frente, inúmeros sucessos como as músicas : Toada, Quem Tem A Viola, Nenén, Tudo Certo; Estrela Da Terra (Com Nana Caymmi)João Balaio, Todo Azul Do Mar (Com 14 Bis), O Trenzinho do Caipira e tantas outras. Quem não as conhece? Com isso, Boca Livre virou uma "grife, teve várias formações e voltou, em 2006 , com a formação utilizada até os dias de hoje: Maurício Maestro, David Tygel, Zé Renato e Lourenço Baeta. Para quem gosta do Boca Livre aí está uma composição de Tavinho Moura e Márcio Borges - Cruzada. Verdadeira obra prima , enriquecida com a participação desse cantor maravilhoso, paulista de nascimento, Renato Braz. (Premio Visa - 2002)  Escutem, agradem seus ouvidos, e vejam as coisas lindas que temos neste País, tão voltado para a contracultura, todos os dias fechando os espaços aos nossos poetas e compositores, músicos e tantos outros artistas de valor.
Até amanhã...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Gratuidade da justiça.

Que maravilha isso...vez por outra temos a grata surpresa de justiça bem feita. Leiam , reflitam e comentem. É um assunto extraído do blog do Dr.Ruy Armando Gessinger, lá da terra dos gaúchos. Achei pertinente postar aqui porque o Juiz Desembargador que profere o voto  no Agravo de Instrumento, é membro do Tribunal de Justiça de São Paulo.   Tomara que sirva de lição para alguns mocinhos que andam por aí, travestidos de juízes de direito. E que aprendam que a lei dura lex na maioria das vezes, só prejudica a quem mais dela precisa. Experimentem, vez em quando, senhores juízes, usar uma pitada de bom senso. Segue Dr. Ruy e demais causídicos...
"Sempre achei que o acesso ao Judiciário não pode ser negado. A cobrança de custas  , dependendo de quem se trate, implica  lhe negar  direito fundamental.Sempre entendi que a mera afirmação de carência de meios deveria bastar. A parte adversa que impugne e prove o contrário.
Recebo do meu caro amigo Luiz Beck da Silva cópia de uma decisão muito elogiável. Eis o teor do mail:
"Vez ou outra ainda encontramos no judiciário algum juiz, desembargador ou ministro, que sabe avaliar não só os papéis do processo mas e principalmente, a situação real das pessoas que a eles recorrem. Que maravilha de decisão esta aqui. Leiam e curtam... 
Decisão do Desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num Recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta. O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais danos morais decorrentes do falecimento do pai.
Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular". A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a partir do voto do Desembargador Palma Bisson é daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente por todos os que militam no Judiciário.

Transcrevo a íntegra do voto:

“É o relatório. Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.
Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.
O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.
Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.
Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.
É como marceneiro que voto.
JOSÉ LUIZ PALMA BISSON -- Relator Sorteado”

Até amanhã...queridos amigos.