Familiares das vítimas do incêndio na Boite Kiss em Santa Maria, Rio Grande do Sul acionaram a COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (CIDH) usando documento com aproximadamente 200 páginas em que descrevem em detalhes os acontecimentos da tragédia ocorrida a 12 anos atrás e que se arrasta sem solução até esta data. Nesse documento, acusam formalmente o Estado brasileiro no sentido de que tem responsabilidade pelo acontecido pelos mais variados motivos, entre os quais, negligencia e inúmeras falhas administrativas que acabaram ocasionando a tragédia
Lá pereceram 242 jovens e foram computados ordem de 650 feridos. O incêndio teria sido provocado por artefato pirotécnico aceso pelo grupo musical que lá se apresentava. Como o revestimento da boite era de espuma (instalado irregularmente) a maioria dos mortos e feridos sofreu asfixia devido a gases altamente tóxicos oriundos da queima desse revestimento . Somado a isto, várias irregularidades como, local sem alvará de funcionamento, janelas e portas obstruídas e as pessoas não conseguiram sair, sem saídas de emergência adequadas e superlotação.
Nessa denúncia à Comissão Interamericana os familiares e vítimas sobreviventes, clamam pela responsabilidade direta de vários agentes públicos como o Prefeito na época Cezar Schirmer e vários secretários do município. Também cobram o péssimo trabalho do Ministério Público gaúcho bem como o Poder Judiciário. Advogados usam inúmeros recursos processuais que visam apenas procrastinar o processo e chegar a prescrição do mesmo.
A realidade é que isto se arrasta sem solução e a cada dia que passa mais a sociedade está ficando incrédula com o procedimento dessas autoridades que deveriam tomar providencias urgentes para dar uma satisfação a todos os familiares desses inocentes mortos devido, principalmente pela omissão e incompetência do poder público. Uma realidade que salta aos olhos das pessoas e que faz com que a cada dia que passa mais e mais nos tornemos descrentes na Justiça deste País.
O que a CIDH pode fazer no caso é apenas recomendações ao Governo e se essas recomendações não tiverem eco poderá , aí sim, tomar algumas providencias como levar esse caso sem solução a 12 anos ( incrível) a julgamento na Corte Internacional de Direitos Humanos. Quem sabe lá isso se resolva de forma a mitigar a dor dessas famílias penalizadas todos os dias com a lembrança e a saudade eterna de seus entes queridos.